segunda-feira, 3 de maio de 2010

Não é bonito sofrer

Ai que eu sou tão previsível. É verdade o que dizem. Acredita que eu choraria? Eu me descabelaria, eu diria coisas que não são verdade, só porque eu acho profundo essa coisa de escrever quando se está sofrendo. Mas seria tão limitado, tão natural de mim que acabei deixando essas eternidades e infinitos para depois. Eu não preciso. E também não me basto. Isso, isso, você leu bem. Eu não me basto. Parece que me agrada a piedade, as ternuras alheias, o olhar de "a coitada está sofrendo demais". Tudo fica claro, agora. Eu tenho pena de mim. Eu lamento não estar sentindo nada que seria cômodo sentir. Posso até estar leve, enquanto prendo a água atrás da menina dos olhos - e olha que eu nem sei se isso é realmente possível - mas eu prendo. A água, a menina, nos olhos. Quem me encontrar por aí vai notar que eu olho com cara de menina e com cara de quem tá prendendo água atrás dela. Estou prendendo e aprendendo com a leveza que pareço sentir. É tudo o que sei para escrever aqui: Não é bonito sofrer. Bonito mesmo é surpreender.
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Dica de uma leitura deliciosamente menos egoísta: AQUI
E de uma música, idem: AQUI

14 comentários:

Anônimo disse...

não é preciso sofrer, quando as certezas são maiores que os medos...

Sou C! disse...

Você tem razão... (sorrisos!)

Anônimo disse...

... hum, mas não dê razões a um anônimo!

Sou C! disse...

Concordando com um anônimo. Note o grau de caduquice da pessoa! As intenções são nobres, contudo...(sorrisos!)

Anônimo disse...

até mesmo o anonimato é nobre quando as ações não correspondem as falas... "não tenha medo", professa o anônimo; mas por que ele continua anônimo?

será por ele... por sua falta de certeza, ou será a falta de certeza sobre o que vem... desse lado aí?

Sou C! disse...

Eu não guardo as suas respostas no bolso. Mas sei que elas estão em algum lugar perto de onde o arriscar reside. Talvez seja necessário tropeçar nele. Talvez uma queda, talvez um passo de dança.

Lhe adianto, ainda, que o lado de cá tem sempre, ele próprio, um sopro fraco de incerteza. Mas, ao mesmo tempo, um vendaval de vontade de viver.

Anônimo disse...

... e esse vendaval pode chegar, ao menos como brisa, na vida de um anônimo?

Sou C! disse...

Como brisa!? Sempre poderá chegar. Sempre que se quiser...

Anônimo disse...

"mesmo que como brisa" - o anonimato me faz humilde, peço pouco, mas penso infinito.
sempre quererei tempestades avassaladoras... e quando elas vieram, que batam com tudo em meu peito, em minha alma, tomem minha vida, e me carreguem com elas, para sempre...

hão de existir tais tormentas?

Sou C! disse...

Ainda que hajam, (e sou sincera em afirmar que talvez possam haver...) não carregarão-lhe para sempre. Para sempre, não. É um prazo longo demais. É um preço caro demais.

Sou C! disse...

Dileto (quase) anônimo,

Começo da última consideração: Ela não seria necessária... Ela fez o (quase) nascer. E quase é perigoso para um anônimo.
Passo à segunda: Acho bonita essa disposição para carregar coisas. Mas, afinal de contas, não sei ao certo o quanto/o que você ainda espera de mim para carregar!?
E depois, à primeira: O tamanho do meu sempre é... é... é... Tá aí, acho que também não sei o tamanho do meu sempre. (sorriso)

Anônimo disse...

... já carrego você, indisciplinado, me antecipei.

Mas não é o quanto, nem o que espero - é o que eu posso, que está em debate, e aí eu não tenho a decisão.

por enquanto, me entrego às brisas à esperança que soprem cada vez mais fortes, e...

"quando elas vieram, que batam com tudo em meu peito, em minha alma, tomem minha vida, [e, pelo eu, as carregarei comigo], para sempre...

Sou C! disse...

Me é cada vez mais evidente que as brisas não se cansam... Estão sempre prontas para esvoaçar folhas de outono. Cortinas. Cabelos. Anônimos...

Anônimo disse...

então vou calar minhas palavras, para anonimamente apenas sentir os sopros, sejam quais forem suas intensidades...