quarta-feira, 30 de junho de 2010

Em termos de amor

Eu só sei que ao sentir qualquer coisa perto disso a gente esquece que o mundo é grande.
"Pero es que mi instinto, no sabe de amores..."
Falar de amor é como fazer previsão do tempo: Todo mundo pensa que sabe, e ninguém liga a mínima se você é exato nas palavras, se acerta os desatinos, ou se vai botar uma roupa desconfortável porque te dizem que é bonita e simplesmente nervosamente ler as letras miúdas atrás das câmeras, escritas por alguém que sabe mais do que você jamais vai saber. Reinvento-me, de qualquer modo. Destituí três conceitos de amor. Com isso, foi descomposta minha ideia de escrita sobre o amor. A minha ideia de escrita, em geral, acho até. Quase como passar uma borracha em todos os nomes e sotaques e maneiras escritos em todas as testas para as quais eu fui capaz de olhar. Uma borracha apaga-testas. Olhar agora só bem longe muito longe tanto longe e recomeçar. Aliás, tudo passa... Até amor. Até o caroço com o qual a gente engasga depois de comer a frutamor e não se saciar. Até as provas de amor.
"E a confusão da vida dela? Quem vai resolver?"
Isso não impede a reinvenção ácida (Mas que diabos vem a ser uma reinvenção ácida? Hm, não sei) : Ai de mim. Eu me avisei. E olha que nem precisava. Há ainda os que dirão qualquer coisa sobre o egoísmo, a insensibilidade, o coração de pedra. Decepciono ao não conhecer, em termos de amor, nada mais apropriado do que pensar primeiro em si e só muito depois em todo o resto. Eu e eu. Bonito e honroso é segurar as desventuras no osso do peito. Tudo o que bater vai voltar, sem dar condição pro que vier a desfavorecer. Sinceramente, eu sinto o que eu quero, eu penso o que eu quero, eu vejo o que eu quero. Estou tão acostumada à ideia de que a repetição de uma aparência faz a aparência se tornar verdade que ficou fácil falar de tudo. Ficou fácil falar de amor. Ficou fácil fazer previsão do tempo. E ficou fácil errar...
A gente escolhe o tipo de personagem que quer ser. Meu deus, como a gente escolhe. Haverá, sempre, aqueles dias em que se acorda meio arrependido, meio generoso, meio puta, meio tudo-resolvido. Serão sempre menores os números em dias os quais isso irá doer. E já aviso de antemão que quando dói é lancinante. Mas se amanhece doendo só adormecerá assim se o dolorido quiser que adormeça.
"O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam."
Em termos de amor, não apareço mais, por assim dizer, a menos que... Não, não apareço mais. Mas vou aparecer uma porção de vezes, se assim o quiser.
"Amor é diferente!!!! Isso é falta de amor!!!!"
É, e talvez não seja...

domingo, 27 de junho de 2010

Definições

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Solidão é uma ilha com saudade de barco. Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a ideia cansa de procurar e para. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Perdão é quando o Natal acontece em outra época do ano. Desejo é uma boca com sede. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Desatino é um desataque de prudência. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro... Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não... Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação. Esse negócio de amor, não sei explicar...

E é com Definições, de autoria desconhecida, que eu me despeço.
Porque Despedida é um ponto que ainda não decidiu se é final ou reticências...

sábado, 26 de junho de 2010

Quimeras

Sonhei que olhava o horizonte e então uma criança passava correndo, só pra me distrair o propósito. Sonhei passar um dia todo caladinha, pra não me arrepender das coisas ditas. Sonhei véu e grinalda. Sonhei um porre. Sonhei com ciência, sonhei consciência. Sonhei meu comportamento tão desprezível. Sonhei magistratura. Então sonhei que havia me cansado do amor, e queria praticar o desapego. Sonhei elogios. Sonhei com quatro beijos. Sonhei que atravessava a rua e ouvia Lenine, apressada. Sonhei ideias perdidas no ônibus. Sonhei imaginações, sonhei coisas, sonhei cores. Sonhei sons. Sonhei coisas realizadas e irrealizáveis, sonhei absurdos. Sonhei xadrez. Sonhei azul. Sonhei flores. Sonhei sonhos.

Sonhei com o horizonte. E sonhei com o não-horizonte.

Acordei atrasada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O vento

Posso ouvir o vento passar. Assistir à onda bater. Mas o estrago que faz, a vida é curta pra ver [...] Um século, um mês, três vidas e mais: Um passo pra trás. Por que será? ...vou pensar. Como pode alguém sonhar, o que é impossível saber? Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer. E isso, eu vi, o vento leva! Não sei mais... Sinto que é como sonhar. Que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer. E isso por quê? Diz mais! Uh... Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar. E talvez, se tem que durar, vem renascido o amor: Bento de lágrimas. Um século, três, se as vidas atrás são parte de nós... E como será? O vento vai dizer, lento, o que virá. E se chover demais, a gente vai saber - claro de um trovão - se alguém, depois, sorrir em paz só de encontrar...
Eis Los Hermanos me livrando, sempre, do peso da autoria!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Meu amigo virtual

Tenho um amigo virtual com nome de ator de novela mexicana. Dizer assim, despreocupada, que ele é um amigo virtual, parece até minimizar a ideia de amizade que construo: Tão repleta de confiança, kkkkkk's e hahahahaha's. Contudo, acho que o virtual facilitou uma condição importante para todos os amigos, e que poucos tem a felicidade de desfrutar... Nunca, nunca mesmo, nós nos julgamos.
Em conversas como a dessa manhã eu só sorrio das minhas próprias histórias, e das aventuras dele. Ultimamente, tenho me aproveitado do alagoano de sorriso fácil. Ele tem sido meu conselheiro amoroso e, pra ser honesta, acho que estou perto de ocupar esse cargo em sua vida, também. Gosto de ambos os fatos. Écio... Ramon... ou apenas Mon, para íntimos como penso ser, é adepto de frases sempre muito bem vindas. É o caso de "Se um dia você teve algo realmente seu e por alguma razão esse algo foi 'embora', se ele foi realmente seu, voltará." Pode nem ser das mais inéditas, eu sei, mas eu reflito mais quando vem daquele cara. E, também, é adepto de perguntas que me revelam desprevenida: Afinal, o que fazer quando a vida da gente não é igual a da TV? ...
Abusados, comparamos nossos aspirantes a amores aos personagens do nosso filme predileto - tudo pra, audaciosamente, afirmarmos que nossa vida é assim: Meio Closer. Meio fábula. Talvez realmente seja, mas, do que eu tenho plena certeza, é da amizade de alguém com nome de ator de novela mexicana. Que nunca me julga. E que diz frases de efeito. Sorrio. Tudo porque jamais haverão vidas mais parecidas com novelas mexicanas do que a minha e a de Écio Ramon.
Pois, se é isso que nos "une",
que sejam mexicanamente sofridas pelo tempo que for necessário.
Mas que guardemos conosco, infinitamente, a capacidade de sorrir...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

É.

Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Não pretendo mais sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume. Deveria ter uma tabela antipaixão como as que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes em que pensássemos no outro. Assumindo assim nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso (...)

Fernanda Young

terça-feira, 22 de junho de 2010

Abrigo

O C de Cinza se cansou de existir e todas as coisas terão de se localizar em outras cores. Minhas lembranças - que gostar de mudar, gostam muito pouco - correram apressadas para as filas de espera do preto e do branco a bem de encontrarem seu novo lugar...
Pura teimosia. Avisei a elas que lembraria do Cinza por muito tempo, mas elas preferiram não ficar a mercê da minha memória que oscila. Definiram-se. Todas as coisas, agora, estão com cara de fotografia antiga. Preto e branco, sem o Cinza, definitivamente não se misturam.
Meus oitos e oitentas, por outro lado, adoraram a notícia. Correram mais rápido do que todas as outras máximas e, obviamente, optaram por cores distintas. Oito agora é branco do mais branco e oitenta é preto mais preto do que tudo que é preto. Ambos devem estar querendo um juízo de valor, uma escolha, uma decisão.
Pois enganaram-se! Não me decido tão cedo. Tudo que - na sentida falta do Cinza - ouso fazer, é esperar. Esperar que dê conta de servir de abrigo para essa multidão de contrastes.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

100 C's entre tantos

É com prazer que informo que o UmCentretantos e eu chegamos à marca de 100 posts. Desde 2007, seletos assuntos, devaneios, sentimentos e invenções são vividos através daqui.
A escrita sempre foi minha expressão de arte predileta, e não há símbolo melhor de toda minha adoração do que o nascimento desse espaço. Confissões, letras de música, parágrafos desconexos, fotos, frases de efeito, citações. Em 2007 eu não sabia quais seriam as histórias que se desenhariam. Mas de fato se desenharam, e desenharam por 100 vezes repetidas.
Já usei o blog pra mandar recados, pra desentristecer, pra informar meus gostos, pra expressar minhas vontades de todas as coisas... Pra eternizar. Hoje ele é praticamente um diário. Um melhor amigo. Quase sempre impreciso, quase nunca explícito o suficiente, mas sincero. Desconcertantemente sincero mesmo para mim, que vez ou outra o reviso. Porque a sinceridade é um bom álibi em se tratando dos projetos de crime que cometo e, sem prática, registro.
Sempre gostei mais das palavras escritas do que das palavras faladas. Aliás, isso não é novidade: É um evento que o UmCentretantos consuma 100 vezes. Despreocupado. Produto da minha adolescência mal resolvida - com recíproca mais ou menos verdadeira.
Já me arrependi por aqui. Já chorei por aqui. Já sorri por aqui. Já fui indiferente e cínica por aqui. Já adocei vidas por aqui. E mesmo não haveria de esquecer o fundamental... Já surpreendi e já fui surpreendida por aqui.
Esta é a centésima página de UmCentretantos. São 100 pontos fracos. São 100 socos no estômago dos inimigos que não tenho. São 100 demonstrações, são 100 fragmentos meus. São 100 possibilidades.
Foram poucos, ao longo dos 100 capítulos desse meu romance com o léxico, que souberam me interpretar como eu gostaria. Outros interpretaram e eu jamais imaginei... Eu mesma, em dados instantes, não soube ser a protagonista que gostaria de ler. Não importa: Hei de me escrever muitas vezes para que, a cada 100 passos dados em caminhos de sílabas, eu tenha disposição para olhar pra trás satisfeita e continuar tendo formas essencialmente minhas, movidas a graça. E a gosto. A gosto de Um C. Entre tantos.

domingo, 20 de junho de 2010

Flamenguistamente torcedora

Sou garota flamenguista.
Das apaixonadamente flamenguistas.
Que sabem o hino de cor.
Que xingam o árbitro.
E das que não admitem o absurdo da comparação de torcida com o Corinthians. Sou das que assistiram Pet fazer aquele gol de falta aos 43 do segundo tempo. Das que já foram ao estádio. Das que partem em defesa do urubu no dilema do Hexa, quando teimam que o campeão foi o Sport. Das que acompanham finais em campeonatos cariocas e zombam dos vices na segunda-feira. Sou das que sofreram com a eliminação na Libertadores desse ano. Das que sabem das decisões da diretoria do clube. E, também, das que comemoraram o Brasileirão 2009 com carreata.
Tudo isso porque eu nasci Flamengo. De pai e de mãe. Da mãe que tem família inteira flamenguista, do pai que ainda hoje lembra da escalação completa de 81, quando vencemos o Mundial. Herdei o amor pelo futebol e por todas as intempéries que dele provém...
Fui aprendendo desde cedo o que eram as faltas, escanteios e pênaltis. O que faziam os zagueiros, os volantes e os bandeiras. Por que eram concedidos os acréscimos e mostrados os cartões. Que haviam campeonatos de mata-mata e de pontos corridos. Quem eram os melhores batedores de falta. O mascote. O nome do estádio. Os comentaristas parciais...
E hoje eu opino escalação. Fico indignada com gente que, com a boa fase, usa a camisa do meu time, beija o escudo e não sabe o nome de nem um jogador. Discuto com garotos. E mais... Sei o que é um impedimento.
É tempo de Copa do Mundo, e nessa época eu sempre me misturo aos patriotas que são - momentânea ou incondicionalmente - apaixonados pelo futebol, torcedores do Brasil. Mesmo que o Dunga não tenha feito a melhor das escalações. Ainda que o time não convença. E até quando o adversário é gritantemente inferior: Eu vibro com os dribles. Eu sofro com as derrotas. Eu chuto o ar quando a bola tá sobrando sozinha na frente da área. Eu comemoro os gols. E aprendi a ser assim por conta do Mengão.
Acho mesmo que posso dizer, sem timidez, que de quatro em quatro anos eu empresto meu entusiasmo, euforia e devoção - todos eles tão decididamente rubro-negros... - à seleção verde e amarela. Em junhos como esse eu me transformo, pois, com tudo que me é peculiar, em uma garota flamenguistamente brasileira!

sábado, 19 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O quanto antes

Então, lá pelas tantas, grita-se pra ficar acertado que eu ouça e que eu cumpra:

"Querida Claudia, você não tem mais cinco anos de idade e não está no primário. Ser razoavelmente correta, inteligente ou boa (mas boa só se você preferir ser simplista nisto, inclusive...) nestas dimensões, é sinônimo de ser péssima quase que em totalidade. Ser precoce não é mais suficiente pra que achem graça em você. Ou, talvez, pra que alguns achem graça, até chegue. Entretanto, pra mim isso não basta. Pra você isso não deveria bastar. Vá pros infernos com a sua criatividade, pro raio que o parta com a sua articulação. E não torce o nariz pra mim, não. Nem me sorri assim, tão falsa, nem me ignora, que se eu tô gritando é porque falei baixo e você fingiu que não ouviu... Que se eu tô falando isso agora, é pra você se decepcionar o quanto antes... Pra essa decepção passar e você ficar mais forte, mais madura, mais gente grande. O quanto antes. Leia muito. Aprenda muito. Queira muito. Abdique muito. Valorize muito. Cresça muito. Mude muito. Você pode muito. E pode mais. Aliás, pode mais em infinitos sentidos. Não é só isso que você quer pra você, garota. Nem pra mim, que sou tão sua. Seja mais. Por nós. Mas principalmente por você. Não é tarde pra fazer de mim bem melhor..."

Penso na desnecessidade de revidar quando a interlocutora é a vida.
Aceno a cabeça em uma confirmação gigantescamente pesarosa. Porque essa é a forma mais doída de admissão que eu conheço. E porque é só o que me cabe...
Choro.
Choro uns bons pares de lágrimas ao tentar reavaliar todas as coisas sentindo a companhia, tão somente, de quem grita e do vento lá de fora.
Escrevo.
Escrevo pra lembrar de desejar que tudo o que vier para bem, (e isso inclui alguns males) venha o quanto antes... E pra lembrar, amanhã e muito depois, de que o aceno e as lágrimas foram, ambos, derradeiramente meus...

A palavra da semana é

...algo que eu não sei escrever. E se não sei escrever, certo que também não sei classificar, conjugar ou definir. Contudo, a palavra da semana continua sendo. E sendo assustadoramente oposta às regras gramaticais ou à reforma ortográfica.
Ao se opôr, ela me sabota. Ao me sabotar, ela é mais forte. Ao ser mais forte, ela me invade. Ao me invadir, ela é. Ao ser, só é.
...mas um "é" tão grande que nem consigo escrever...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Diário de bordo III

Hoje eu bati o cartão eram 7:52. Foi um milagre eu chegar tão cedo. O horário ficou registrado duas colunas mais à esquerda do que o habitual. Bater o cartão, pra mim, é a rotina também dos dias em que, como hoje, pela manhã, por exceção, eu vou trabalhar. (destaco, não é sempre que o Brasil joga com uma das Coréias pela Copa do Mundo e trocamos todos de turno...) Que seja. Essa é a dinâmica das coisas de todos os dias:
Saio de casa sempre cinco minutos antes do meu horário, porque o Fórum fica a não mais do que isso de distância da minha casa. Da janela da área de serviço, eu enxergo o meu trabalho. E eu gosto de enxergar o meu trabalho pela janela da área de serviço - porque isso me dá condições de sair cinco minutos antes das 13h e ainda chegar a tempo.
Me espio correndo no espelho tamanho família e desço as escadas. Lembro que agora devem faltar só quatro minutos. Vez em quando eu confiro se os brincos são de fato o par, no reflexo que me deseja "bom trabalho" todos os dias. A vitrine da loja do térreo e todos os seus manequins - ditando as últimas tendências da minha cidade - são cordiais ao manter-se imóveis, observando a minha pressa.
Na frente do estacionamento do mercado eu sempre encontro um menininho sardento, de uns oito anos, indo pra escola. Ele tem um corte de cabelo mais redondo que qualquer coisa redonda que eu já tenha conhecido. Sempre me sorri, bem tímido. Me cumprimenta. Outro dia tropeçou enquanto o fazia e eu fingi que não vi, pra saúde da nossa cumplicidade diária. Sempre me despeço dele sabendo que faltam três minutos. Então dobro a esquina e, se der sorte, não há nenhum carro passando. Me esquivo do arbusto que a senhora de idade esqueceu de cortar e tomou conta da calçada. Atravesso a rua de lajotas inimigas dos meus saltos altos, chego na subida do acesso. O morro do Fórum que extrema com a casa azul e enorme do ex-prefeito é o caminho que eu utilizo. E eu sempre me lembro que ele é ex-prefeito quando eu vejo o número de janelas visíveis ao lado direito - que uma mão minha, sozinha, não dá conta de marcar - e penso qualquer coisa acerca da política.
Passada esta etapa, abstraio - porque o tempo é curto entre dois minutos e um, - portanto é momento de cuidar pra não escorregar no limo das pedras, que não vão com a cara dos meus passos desajeitados e outro dia, garoando fino, me deram um tombo com gosto de atraso. Subo - desengonçada, mas atenta - chego no degrau plano e "seguro no carão" a produção e a competência que, mais do que ter, me é necessário - com dezesseis anos... - parecer.
Entro pelo vão entre as grades cinza escuro e a porta de madeira trabalhada, não olho muito pros lados, porque se encontrar alguém, ou terei de dispensar o "tudo bem, como vai?" ou o cartão-ponto servirá de prova do meu descuido. Sigo ligeira para o ambiente no final do corredor, à direita. Falta meio minuto.
A cozinha é um local que eu respeito - por sentir orgulho - ao ler a placa de "exclusivo para funcionários" fixada na porta. E entro lá porque é onde está o meu cartão, o protocolo que o preencherá e a água que está a dois copinhos de saciar o cansaço do trajeto. É o início do expediente. (...)
Categoria: Aventura

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sob controle

Estou feliz. Decidi assumir. Ultimamente eu volto os olhos para o extraordinário e me encontro, em foco, presa a um conjunto de coisas maravilhosas. Sendo coisas que sempre quis.
E não imaginava que quisesse.
Insisto em não ser alegre o tempo todo, porém, pra bem de que não pensem que quero estrelar comerciais de pasta de dente. Então disfarço - vez ou outra - mas só pra não enjoarem. Antes tivesse assumido, a felicidade e tudo que ela trouxe consigo, há tempos: Um projeto de liberdade autêntico.
Então sou admiravelmente alegre. Sai fácil a crônica, o cinismo, toda a personagem e também as verdades que convém. Entro em estado de graça absoluta e não deixo nítido nada além de uma boca que gargalha e de olhos que sorriem. Por uma vida leve, doce, livre de amarras, inédita.
Estou feliz. As duas palavras, no sentir e no dizer, hoje confirmam uma série de circunstâncias oriundas da bipolaridade desassociada de modismos com a qual convivo. Contudo, eu não preciso me trair. Por bem do que é certo, penso, é necessário que se informe que tudo por aqui sempre volta ao controle. Liberdade de mudança, de escrita, de humor e de perspectiva:
É quando lembro que escritor nem sempre rima com leitor.

Fora de controle

Estou triste. Não vou negar. Ultimamente eu volto os olhos para o comum e me encontro, no centro, atada a um amontoado de intenções pobres. Sendo coisas que já não era.
Ou não gostava de pensar que fosse.
Insisto em apostar naquela perspectiva às avessas que faz o mundo ter cores intensas - vez ou outra - mas hoje tão vazias. Antes cores misturadas, abandonadas por si, aliadas a outras sem intensidade, e completas pelo que é notadamente óbvio: Um projeto de cor original.
Então entristeço mais. Não sai rima, não sai conto, não sai personagem, não sai verdade. Entro em stand by da versão de mim que é alegre e não consigo enxergar nada mais nítido do que este desejo por algo diferente. Por uma cor exclusiva.
Estou triste. As duas palavras, no sentir e no dizer, vão contra uma série de circunstâncias e de jeitos de levar a vida que acabaram por me ser familiares. Contudo, estão completamente fora de controle. Por bem do que é certo, penso, felicidade demais deve ser anúncio de tristeza. Um anúncio desajeitadamente anunciando:
É quando lembro que cor rima com amor.

domingo, 13 de junho de 2010

Condicional

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo o céu
Fiz de tudo o cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios...

E quis,
ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi:
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
é de cortar...

Eu sei
É
um doce te amar
O amargo
é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar - me ver
Antes de te ter e de ser teu,
muito bem...
Quis nunca te ganhar
Tanto, que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios...

Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar;
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso...

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar - me ver
Antes de te ter e de ser teu...

O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar...
Mas o quê? Não sei mais.


Los Hermanos e eu: em Condicional

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O segundo ossinho

E porque as mazelas conhecidas às vezes não são suficientes... E porque não me contento em reclamar de coisas comuns, ou sofrer de doenças curáveis...
Tô com dor no segundo ossinho.
Segundo ossinho nem de longe é o termo correto para a região mas, contudo, é assim que eu chamo, carinhosamente, no alto da minha ignorância em anatomia, (e do meu gosto excessivo por vírgulas,) a área abaixo da nuca que arde sempre que deixo muitas coisas acumularem... Quando eu me canso de tanto tentar fazê-las bem feitas, às voltas com vésperas e prazos finais...
Não há remédio: O jeito é estralar três vezes o pescoço, tentando encostar as orelhas nos ombros e o queixo no peito, girando, e por ventura, nesse período, rezar algo curto pra que na próxima ocasião eu lembre de distribuir o tempo, as energias, disposições e pensamentos como é e para o que é apropriado. Enquanto não, me dói.
Imenso, gritante...
O infeliz do segundo ossinho.
Acho mesmo, pra ser mais poética do que realista, que minhas vontades de todas as coisas moram ali. E imploram, doídas como estão há dias, por libertar-se...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Presente¹

Pode parecer heresia, mas hoje eu não sei o que dizer de Deus - ou do Destino, ou do Acaso - senão que algum deles está sendo minha espécie perfeita de par: Surpreendente e intenso. E, ainda, meu gênero preferido de escritor...
Algum deles está deixando, todos os dias, garrafas com alegria líquida na minha porta. Embrulhadas em pacotes com um laço bem da cor da minha expectativa. Algum deles sempre toca a campainha e, depois, me deixa abrir a encomenda deliciando - a doses pequenas - o torpor que só um presente como esse sabe causar. Sempre na pressa, sempre precioso, sempre preciso, algum deles me brinda com suas aparições suaves, do nada. E é dessa alegria que eu me sacio. Do nada que é tudo, no meio dos dias que seguem tão displicentemente contraditórios...
¹ No seu sinônimo de dádiva, lembrança, não-ausência e tempo verbal.

Da súplica à aflição

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Do it

Tá cansada, senta. Se acredita, tenta. Se tá frio, esquenta. Se tá fora, entra. Se pediu, aguenta... Se pediu, aguenta... Se sujou, cai fora. Se dá pé, namora. Tá doendo, chora. Tá caindo, escora. Não tá bom, melhora... Não tá bom, melhora... Se aperta, grite. Se tá chato, agite. Se não tem, credite. Se foi falta, apite. Se não é, imite... Se é do mato, amanse. Trabalhou, descanse. Se tem festa, dance. Se tá longe, alcance. Use sua chance... Use sua chance... Se tá puto, quebre. Tá feliz, requebre. Se venceu, celebre. Se tá velho, alquebre. Corra atrás da lebre... Corra atrás da lebre... Se perdeu, procure. Se é seu, segure. Se tá mal, se cure. Se é verdade, jure. Quer saber, apure... Quer saber, apure... Se sobrou, congele. Se não vai, cancele. Se é inocente, apele. Escravo, se rebele. Nunca se atropele... Se escreveu, remeta. Engrossou, se meta. E quer dever, prometa. Pra moldar, derreta. Não se submeta... Não se submeta...


Lenine!

domingo, 6 de junho de 2010

Heterogenia: Hegemonia

Ouvi falar que Ésse - entre vogais - tem som de .
É verdade o que dizem... E digo mais. Somos tão frágeis em mudar nosso comportamento, por conta das pessoas que nos cercam, quanto as letras e seus fonemas. Taí uma coisa que, de uns tempos pra cá, me agrada e não se acanha em fazê-lo! Ontem, o show foi divertido. Por infinitas razões, claro. Desde a véspera, o ensaio dos fatos e feitos me trouxe uma euforia graciosamente agradável de acomodar. Chegando, o local já tava cheio o suficiente pra que eu sofresse um milhão de estímulos - feito criança aprendendo a comer, andar, mandar beijo e fazer tchauzinho, sabe? Todos chamam por elas. - variados estímulos, como sempre. Tem acontecido de todos os cantos, modos e cores, ultimamente. Sem que os estimuladores e estimuladoras façam a mínima noção disso, contudo. Um dos meus prazeres secretos, descubro agora, é estar entre tantas gentes de tantos jeitos. Quando juntamo-nos, todos ou alguns, tenho a impressão de que posso ser razoavelmente eu ou excessivamente fazida. Somos afinal constituídos de um caminhão de sensações diferentes, todas à espera do despertar. As pessoas são inacreditavelmente diversas entre si (eu tô notando! e repetindo!). A exemplo das amigas que me acompanhavam integralmente na noite do sábado: Amigas, homônimas. Iguais, divertidas. Diferentes, divertidas.
Vamos às considerações sobre o show: Sou grata ao Jorge e ao Mateus, que apesar de cantarem em um sertanejo apaixonado demais, me embalaram na cantoria sem saber a letra. Sou grata ao meu casal da carona, da companhia em cachorro-quente, da parada estratégica no posto de gasolina. Sou grata às minhas consultoras de moda particulares. Sou grata ao cara que passou por mim e piscou um olho - pela animação, a produção teria valido, então. Sou grata às Deises, que me apresentaram Bacardi Lemon com Sprite e me acompanharam na solteirice de um show demasiado romântico. Mas sou grata principalmente à personalidade que mora dentro de mim. Ela consegue mudar de comportamento adequadamente à situação sem, contudo, perder a essência que me agrada possuir.
Ésse - entre vogais - tem mesmo som de .
Mas não deixa de ser Ésse.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Roteiro

E então ela fugia. Correndo entre as árvores quase sem caminho. Com coroa de flores. Em uma floresta muito clara que fosse toda de horizonte. Dançando valsa a passos largos, risos fartos. E com cabelos caídos na altura da fonte. Bochechas coradas. E as juras, ai das juras! ...já tão consumadas. Com a cara toda de fuga: Não pelas convenções, não pelo entregar-se sem cuidado algum, não pelo crer automático, não pelo que inteiramente vinha esperando ser só em parte e era em tudo...
Esses e outros pesos carregaria, sem jeito, achando divertido. Então fugia, é certo que fugiria, tão somente no receio de abrigar algo maior, que viesse descompassando nervos e agitando sentidos. Fugia todas as vezes, à primeira inquietação, da paixão e de seu desespero. Mas uma fuga devagar, lentamente planejada pra que, bastando o querer, fosse alcançada. Uma fuga em uma vírgula: Muito demorada.
Mas eu? Fujo e sigo, rimando. Não há outro modo... E me escondo. Assim seja: Digo que sim duas vezes ou três. E fujo outra vez. Guarde só as palavras que te fizerem bem... infinitamente bem... Tô presa na rima de alguém. E muito além.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Você me perdoa?

Quando eu mentir, quando eu fingir. E te trair com outra pessoa. Você me perdoa? Quando eu mudar, e o encanto acabar, e eu não for mais a mesma pessoa. Você me perdoa? Por mais que te doa... A verdade não cabe no amor. Falar também não é fácil. Me escuta, por favor!? Eu juro, juro pra você... Que vai ser pra sempre até o amanhecer. Juro, juro pra você que vai ser pra sempre. Mas só até o amanhecer... Se tirei teu chão, implorei perdão e tudo foi à toa. Você me perdoa? Se deixei nós dois sempre pra depois... Perceber que o tempo voa...
Você me perdoa?

Biquíni Cavadão

É apropriado

Acordo pensando em esconder meus sorrisos incontidos. Meus delírios, devaneios, poréns. E desejos e nostalgias, nesse feriado todos tão secretos que precisam ser escondidos. Ansiando esconderijos para os juramentos, que não guardo no peito por ser demasiado cheia de mim... E para as promessas que não cumpro. É apropriado, contudo, que disfarce-se: Eu preferi os gibis do Mauricio de Souza às bonecas. Mas vez ou outra, sendo menor, quando minha mãe me intimava a parecer criança-como-as-outras, eu propunha o esconde-esconde aos colegas. É apropriado que confesse-se: Propunha aquilo no que desde lá eu era boa, óbvio. Sempre escolhia os lugares mais secretos possíveis para as brincadeiras. As quais, penso, dedicando o tempo de uma contagem lenta do "pegador" até cem, me esqueciam dois dias e meio dentro da churrasqueira! É apropriado que assuma-se: Isso é puro exagero. Nunca me escondi dentro da churrasqueira, muito menos passei dois dias e meio dentro de uma, também porque era chata, desde lá cheia de dedos, e não gostava de me sujar. É apropriado que sublinhe-se: Eu sempre fui seletiva. O esconder-se precisava ser gratificante. Se o esconderijo fosse realmente bom, compensaria o meu contorcionismo e, porque não, o empenho. Dessa história de esconde-esconde, há outras coisas para admitir. É apropriado que esmiuce-se: Primeiro surgem as coisas que, por necessidade ou conveniência, esconderam de mim... O que inclui brinquedos pontiagudos, garfos, eletrônicos, fósforos, ursos de pelúcia com pêlos demais com os quais eu pudesse me sufocar, tachinhas, objetos perigosos. Depois as escondidas cestas de páscoa, bebidas alcoólicas, mazelas sociais, respostas. De onde é que os tais bebês surgem, mesmo!? É apropriado que considere-se: Das coisas que já escondi, posso contar alguns absurdos. Teve a vez do presente de natal que não encontravam e eu tinha posto atrás do sofá em vez de embaixo da árvore. As vergonhosas vezes que tinha preguiça de dobrar peças de roupa e as colocava na repartição mais baixa do armário, sendo encontradas apenas na estação seguinte - irremediavelmente amassadas. As vezes incontáveis que escondi sapatos comprados em demasia por minha mãe, a desgosto do meu pai, debaixo da cama. E teve - deixo pro final porque é a mais surpreendente - a vez que tentei esconder a chave do banheiro no lugar onde deveria haver uma lâmpada virada pra cima. Do lado do espelho. E, estando o interruptor ligado, levei um choque em duzentos volts ou watts - acho que volts - que deixou os meus dedos inescondivelmente assados por semanas e os cabelos rebeldes e indomáveis pelo resto dos meus dias. É apropriado que pondere-se: Há, ainda, alguns nem tão - ou maiores - absurdos assim... Já escondi fotos porque não desejava mais lembrar do fotografado. Já escondi dinheiro pra não gastar em créditos da Claro (a propósito, por consideração, eles deveriam esconder minha falta de saldo no fim de todo mês!). Já escondi históricos de msn. Já escondi feiúras com maquiagem. Já escondi a chave da casa com o tapete. Já escondi prova de português com nota oito. Já escondi remédio. Já escondi lirismo. Posso afirmar que tenho longa lista de antecedentes no esconde-esconde dos dias e que tudo que se esconde, concluo, ou é por necessidade ou por conveniência, como vem sendo desde os ursos de pelúcia. É apropriado que diga-se: Meus amarradores de cabelo gostam de se esconder. Assim como os calçados, os pares de brinco, minhas blusas preferidas, na hora da saída. É apropriado que pasme-se: Eu já escondi pessoas. Nomes. Sentimentos. Memórias. Mentiras. Motivos. Fatos. Eu já escondi coisas pra não cair em tentação de usar, comer, sentir, gostar, ferir. Já escondi o fato de que caí em tentação. Já escondi tragédias, segredos. É apropriado que saiba-se: Eu já escondi incertezas, cartas, ciúmes, músicas, presentes e beijos. Já escondi palavras em entrelinhas. Recentemente, venho aprendendo a esconder sorrisos. É apropriado que atente-se: Eu já me escondi de mim e de outros só pelo prazer de me procurar(em). É apropriado que esconda-se, um pouco de todas as coisas: E em lugares seguros. Logo, hoje e nos dias que seguem estarei eu - e tudo o que me adoça, dilacera, amacia e constitui - escondida em cds, livros, jornais, violões, páginas timbradas, celulares, vozes, fotografias, vídeos e paredes. Para que me encontre, sob um efeito muito mais que desejado, quem não consegue esconder-se noutro lugar que não dentro de mim.

Linhas traçadas ao som de Feedback, do Nenhum de nós.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um belo dia

Eu resolvo explicar as três verdades.
Desculpa, eu até poderia. Mas não quero.
Desculpa, eu até quero. Mas não posso.
Desculpa, eu não posso. E não quero.
Certamente, não será hoje.