quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tudo quanto não se consegue ser,

todos os sonhos, todo o avesso deles,
toda a vida real. A carta. O bolso. Endereçada a quem nunca existiu.
O ciúme. Ali. Em toda hora.
Ninguém nunca muda por ninguém, aceite.


On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Carla Bruni

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dissimular inspiração - e sensações.

Como é bonito isso, de confiar que alguém lhe trará sempre o bem-estar. Que você voltará correndo pra quem lhe dá abrigo simplesmente porque bem lhe faz estar ali. Voltando, pra alguém incrivelmente real e que lhe dá a condição de sofrer em voz alta pela falta de tempo que você não tem.
Como é bonito isso de ficar em silêncio e saber com todas letras não pronunciadas que "você pode contar comigo, meu amor". O que fica inerente, nas ausências, é toda essa beleza de saber que haverá o regresso, por certo; que nada fora alterado ainda que com todo cotidiano hostil às doçuras do sentir. (E que saudade da doçura!)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O admirável Conto da Fada Chata

Fada Chata resolveu calar os sinos que usava para acordar. Entretanto, o (tele)transporte funcionou sem nenhum imprevisto, mas lembrou-se que o bilhete estava carente de renovação. Anotou na agenda da memória: Renovar o bilhete do (tele)transporte. Prosseguiu em companhia do Maquinista Atrativo.
Em destino, os (nem tão) simpáticos duendes Chaveiro e Chaveiro-irmã a esperavam com sorrisos reluzentes. Fada Chata caiu em tentação e contou-lhes sobre as peripécias de seu mundo, tão diferente do mundo dos duendes. Hesitou quando duas da Tríade Formosa vinham lhe dizer às custas que a terceira confessara peripécias de Fada Chata a elas.
Ecoou o som que Fada Chata não queria ouvir: Hora de render-se aos deveres deste belo dever que é ser observada ao passear em filas pelo centro de Fadópolis. Primeiro dia do terceiro Sêm do inverno. Conversas à toa no dia anterior lhe garantiam o motivo de não querer que aquela hora chegasse: Fada Chata tinha por certeza o Quarto da Anames com o Iluminível Eco, sempre tão presente, esse Eco. Fada Chata distraiu-se com observações de duende Chaveiro para a Tríade Formosa, mas pareceu não ser o bastante.
Iluminível Eco puxava seu olhar como um ímã, que com todas as não-doçuras, insensatezes e o braço quase tão forte quanto o da pátria amada, sabia ser atraente em seus mistérios. Tantos-muitos mistérios que carregava, tantos-quantos Fada Chata não sabia contar ou prever. Fada Chata aguardara um arrepio ansiosa, o esperado arrepio que espera quem não consegue ver quem passa por si sem querer olhar. Arrepios são a forma mais sutil de sentir que Iluminível Eco está perto de Fada Chata. Eco não se aproximou com o resto que não fossem os olhos. A agenda da memória de Fada Chata é precisa e às vezes um tanto quanto cruel.

Mas Fada Chata não teve outras emoções intensas ao fim do primeiro dia do terceiro Sêm do inverno, a não ser renovar o bilhete necessário para (tele)transporte.