domingo, 31 de julho de 2011

Perturba.

Os sorrisos das pessoas estão desesperados, você vê? No ônibus, no metrô, olhe nos olhos de um estranho, ele mal consegue te encarar. Sorria, ele vai hesitar e retribuir sem entender. Não é felicidade, é reflexo. Sorriso de felicidade desmancha na boca, você sabe. Se você um dia já esteve apaixonado, sabe o que eu digo. Falta paixão, não falta? Está todo mundo fodido e com medo, mas ninguém tem coragem de assumir. E inerente a isso, o medo escapa pelos olhos de vez em quando: sai tão voraz quanto entra.

As coisas vão mal… E às vezes nem parecem. Certas desgraças são tão sutis que nem se dão o trabalho de ficarem visíveis tão facilmente. Escolhem tatos frágeis, e céus, elas são tão seletivas, você não faz idéia. Ficar desesperado é como levar uma surra interminável. Socos e mais socos que você não sabe de onde vem, mas acertam com tanta força que te fazem perder o rumo, não conseguindo pensar em nada e assim fica mais fácil agir como um imbecil.

Você nunca se sentou, chorou ou então se sentiu terrivelmente triste porque por um instante percebeu que estava tudo realmente errado? De uma hora para outra você tocou o que não conseguia tocar enquanto estava ocupado estando feliz ou achando que estava. Fico feliz por isso, por nós. Dor nos faz parecer menos moribundos nessa brincadeira tosca de sobreviver.

Quando o despertador toca, a única reação é querer continuar dormindo. Levantar da cama é tentar se equilibrar em um mundo que já perdeu o chão e estamos altos, todos em cima de uma corda bamba, está ventando muito! Não é entediante ter que acordar e encarar tudo, se equilibrar nessa ventania do caralho que não acaba nunca? O corpo clama inconscientemente por sonhos porque de olhos abertos as coisas ficam mais difíceis.

Eu faço perguntas a você por que sozinha eu não consigo achar respostas, eu jamais consegui. Talvez eu devesse parar de pensar tanto, mas eu gosto de estar dentro de mim mais que qualquer outro lugar. Aqui eu posso. Eu quero respostas, não consigo achar. Isso tem me perturbado. Não te perturba?

Copiado do http://6953.tumblr.com/ por ser tudo que tenho pra dizer nesse domingo de fim de férias.

sábado, 30 de julho de 2011

Adriana Calcanhotto


"Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua família...
Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu rosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua aula
Queria falar sua língua...
Eu vou publicar os seus segredos
Eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria..."

terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu poderia voltar a morar ali, se fosse o caso

Eu construí um castelo. Ou um palácio, não sei bem a diferença, nem faço questão de saber. Não era de areia, talvez de palavras. Era confortável. Aconchegante. Servia bem a seu modo. As escadas para a torre principal eram enormes, o que me protegia pseudo-princesa. No meu castelo-palácio não havia apego e portanto eu nunca me machucava. Esta aqui era sua Sala Magna. Ampla de lirismo, pequena de léxico. No meu castelo-palácio tudo era motivo de riso e eu era grande, exuberante, majestosa, majestade. Um pouco piegas, mas muito interessante. E até mesmo imponente: Uma mulher de posse do seu próprio castelo-palácio. Todos se admiravam. Houve quem entrou sem bater na porta, houve quem bateu na porta, entrou e depois foi-se embora. Houve quem ficou de fora das grandiosas festas de entrada franca, por medo do comportamento da anfitriã que... Bem... No caso, era eu. E em um dia feio (porque nem sempre as coisas acontecem em um belo dia) eu me tornei alienada do que era mais fundamental entre as coisas fundamentais, e aos poucos a vida no castelo-palácio ficou tão assustadora quanto a vida do lado de fora e eu fui derrubando as paredes, uma a uma, e convencionei um encontro superlativamente longo (meses!) com um dos príncipes que eu supunha encantado. Fiquei desprotegida do meu castelo-palácio, mas não fazia diferença, já que não me sentia frágil.

Até que hoje...

Frágil como agora.


***

Outro dia emprestei uma frase de Mario Vargas Llosa, lembra? Pois bem. Faltou prever que alguns dias me amanheceriam amargos, como o de hoje. Prato cheio (cheíssimo!) para quem "reaciona" a segunda opção aí embaixo das postagens.
A segunda-feira adormeceu um pouco mais sentimental do que é costume e eu tenho tido vontade de escrever, especialmente nos últimos dias. O que provavelmente não diz coisas muito boas sobre o meu estado de espírito. Estou prestes a soprar dezoito velas e eu não sei exatamente o que isso muda em minha vida. E eu não deveria estar querendo mudar a minha vida outra vez.
Tenho tido vontade de vir aqui pra dizer que o excesso de cafeína está me amarelando os dentes, que os problemas dos outros sufocam minha aparente falta de problemas, que o trabalho não anda lá aquelas coisas, que tenho saudade dos corredores da faculdade nas férias e que os pensamentos precipitados sobre os fins andam consumindo todos os meus meios.
Mas é melhor não dizer nada pra que a vida pareça em ordem. Eu não sei bem, eu não sei bem... Vez ou outra escrever me desafoga, vez em quando termina de me dilacerar.

terça-feira, 5 de julho de 2011