domingo, 29 de agosto de 2010

Como eu imaginava

Nosso encontro aconteceu como eu imaginava: Você não me reconheceu, mas fingiu que não era nada. Eu sei que alguma coisa minha, em você ficou guardada, como num filme mudo antes da invenção das palavras. Afinei os meus ouvidos, pra escutar suas chamadas! Sinais do corpo eu sei ler, nas nossas conversas demoradas (...) ...sozinho no escuro nesse túnel do tempo, sigo o sinal que me liga à corrente dos sentimentos. Onde se encontra a chave que me devolverá o sentido das palavras, ou uma imagem familiar. Mas há dias em que nada faz sentido... E os sinais que me ligam ao mundo? Se desligam.
Eu sei que uma rede invisível irá me salvar! O impossível, me espera do lado de lá. Eu salto pro alto: Eu vou em frente. De volta pro presente...
Frejat


Amor próprio primeiro, amor "impróprio" depois.
Embora, às vezes, eu me esqueça disso.

sábado, 28 de agosto de 2010

Ecos de quinta - Ou: Loucamente dinâmica

"Acho que você não percebeu que o meu sorriso era sincero.
Sou tão cínico às vezes!
O tempo todo estou tentando me defender...
Digam o que disserem, o mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância,
esperando por um pouco de afeição
." Renato Russo
-

Quinta-feira derrubei o saleiro da cozinha.
A quem interessar possa, os supersticiosos creem que isso é mau agouro e má sorte.
Mas... viram dois caras cheirando cocaína no banheiro do barzinho na noite passada e me contaram e eu não consigo achar isso plausível, e os meninos e meninas da minha geração parecem ter dois parafusos a menos, e enquanto uns divagam sobre a saúde do presente e do futuro das crianças ou das mulheres ou dos homens ou das minorias a maioria parece não se importar, e o preço da farinha subiu, e minha avó tá internada e eu tenho medo de perdê-la, e um conhecido tá com depressão sabe-se lá porque, e eu preciso estudar pra ser alguém na vida seja lá o que alguém na vida é, e eu preciso trabalhar porque gente de bem trabalha, e eu perdi a chave da minha casa e tive de pular a janela mínima que dá pra escadaria, e meu segundo ossinho tá doendo, e eu preciso pesquisar e programar a pós-graduação, e eu engordei, e minha unha não para feita, e eu não me sinto bonita, e as noites de sexta-feira não são tão boas como antes, e os banhos precisam ser curtos porque a água do planeta vai acabar, e a vizinha não me quereria em sua família, e o melhor pedreiro da cidade tomou veneno, e se instaurou uma cpi movida a fofoca a respeito de sua vida conjugal, e o programa eleitoral tá pior do que nunca, e a tv não me alimenta, e nada me distrai, e eu não choro mais, e tá todo mundo nem aí pra essa vida loucamente dinâmica que eu levo, e quem quero bem já tem alguém. E eu não posso sair gritando tudo isso por aí. Bem se vê que não se trata, tão somente, de azar, causado por um punhado de sal derrubado no chão. Trata-se de eu parecer a única pessoa que enxerga determinadas coisas. Trata-se de eu estar operando em uma frequência diametralmente oposta aos demais. Mas... custo a admitir que não há causa e nem motivo.
Os açucareiros que se cuidem.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A veces me figuro que estoy enamorado

A veces me figuro que estoy enamorado,
y es dulce, y es extraño,
aunque, visto por fuera, es estúpido, absurdo.
Las canciones de moda me parecen bonitas,
y me siento tan solo
que por las noches bebo más que de costumbre.
Me ha enamorado Adela, me ha enamorado Marta,
y, alternativamente, Susanita y Carmen,
y, alternativamente, soy feliz y lloro.
No soy muy inteligente, como se comprende,
pero me complace saberme uno de tantos
y en ser vulgarcillo hallo cierto descanso.


Gabriel Celaya

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Três

1) Sentir-se perdida.
2) Querer alguém que não lhe faça comer uma barra de chocolate por ansiedade, evitando um contato por qualquer meio tradicional ou irracional (...)
3) Apaixonar-se.

Silogismo incompreensível e desgraçado!
E disso os loucos sabem...
Só os loucos sabem.
(CBJr)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Nando Reis - Mesmo Sozinho

- Quando falava sobre o caminho,
disse que ainda não sabia por qual seguir.
- E ainda não sei mesmo.
É preciso cuidado na escolha
.
- E tem tantos assim pra escolher?
- A questão é imaginar
o destino a ser alcançado
.
- Mas se você se arrepender
num pode voltar atrás?
- Não gosto de voltar.
Gosto de ir até o fim
.
- ...
- E não sei até que ponto poderei
controlar o meu caminho,
meus passos
...
- Como assim?
- É perigoso sair porta afora,
pois quando você pisa na estrada,
se não controlar seus pés,
não há como saber
até onde eles podem levá-lo
.

(http://www.giuli.blogger.com.br/2006_05_01_archive.html
)
-
Detesto quando o que era esporádico fica prolixo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Nada além

Você não quer ver nada além do seu umbigo, e eu quero ver o que há depois do perigo. Você acha que ninguém sofre mais do que você... Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer. Ando pelas ruas cheirando a fumaça dos motores, enquanto você fantasia suas dores de amores (...) Você não quer ver nada além do seu mundinho, e eu prefiro escrever meu próprio caminho. Você acha que ninguém sofre mais do que você... Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer. Você sonha ser princesa em castelos fabulosos, enquanto eu vago na cidade entre inocentes e criminosos (...) Fique com os seus bonsais, seus haicais. Sua paz, suas flores, seu jardim de inverno. Se isso é céu, eu prefiro meu inferno... Porque você não quer ver nada além. Que ninguém ensina nada a ninguém... Você não quer ver nada além. Que ninguém ensina nada a ninguém... Frejat

sábado, 21 de agosto de 2010

Sobre o tempo

Suponhamos que um sábado de sol amanheça depois de uma sexta-feira qualquer... "Tá aí, meu bem, se liga. É a prova cabal de que não há bem que nunca se acabe nem mal que nunca termine" ... e acreditemos de coração e vísceras que tudo é como deve ser. Seja por conta da dor na cabeça, do sono, de fragmentos, de lembranças, da água benta da avó, do encontro com o esperado ou o inesperado. Acreditemos, com convicção, que a vida que levamos é o melhor dos caminhos, sempre.



(...) Hoje acordei sem lembrar se vivi ou se sonhei. Você, aqui, nesse lugar que eu ainda não deixei. Vou ficar? ... Quanto tempo? ... Vou esperar? E eu não sei o que vou fazer, não... Nem precisei revelar: Sua foto não tirei. Como tirei pra dançar alguém que avistei. Tempo atrás... Esse tempo, está lá trás. E eu não tenho mais o que fazer, não... Skank

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A palavra do dia é

ra.ci.o.nal adj. 1. Que faz uso da razão. 2. Conforme à razão. 3. Mat. Diz-se do número que pode ser expresso como quociente de dois inteiros. -> ra.ci.o.na.li.da.de sf.

Nada mais havendo a tratar,
lavro o presente termo de compromisso para a sexta-feira,
que segue por mim assinado:

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Acho que isso não é amor

Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
'cê pode até duvidar
Acho que isso não é amor....
(...)
Nos perderemos entre monstros
da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
não destrua nosso coração...
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar pra quê?
Se é sem querer...
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
pelos erros a mais
Eu e você?

Legião Urbana

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Diário de bordo IV

Outro dia me perguntaram, especificamente, onde eu trabalho. E ao sorrir respondi: Na maternidade. O interlocutor nada entendeu e eu fiquei satisfeita com aquela confusão. Enfim, "maternidade" foi o termo que usaram de explicação para o que eu viria a fazer, no meu primeiro dia de estágio. Noto agora que isso passara despercebido no meu primeiro relato do diário de bordo.
A distribuição do fórum por aqui é, na minha concepção (embora pareça definição por associação) o local de nascimento dos processos. As petições iniciais são protocoladas, numeradas, carimbadas, paginadas, cadastradas e ganham a sua própria pastinha e etiqueta para então seguir, com um ato ordinatório, ao gabinete do juiz. E são várias por dia. Praticamente um bebê bizarro ganhando as primeiras laudas e dando seus primeiros passos com a minha ajuda. Todos os procedimentos dali em diante, ou ao menos os que passam por minhas mãos, se farão por meio das petições intermediárias, que receberão protocolo, carimbos, cadastro e se destinarão ao cartório para juntada. E então seguirão conclusos também.
Já são mais de três meses que ajudo a pôr no mundo bebês de pais e mães dos mais variados. Desde os relapsos que esquecem de assinaturas parecendo genitores de primeira viagem até os mais formais, que não deixam uma só dobra ou grampo atingir a estética de seus nascituros. Há bebês que chegam por malote, em péssimo estado, os que chegam por office-boys, e com a modernidade do sistema judiciário, há também os concebidos pela internet. No fim das contas, dada a sentença, cada um desses seres pode até não ganhar vida própria mas, certamente, será capaz de modificar de um jeito significativo a vida de quem os encomendou por essas curiosas figuras barriga-de-aluguel chamadas advogados.
Enquanto não estou apta para realizar o pré-natal em gestantes, receitar medicamentos apropriados ou pôr em prática qualquer tarefa propriamente obstetra, tô adorando ser parteira!
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Categoria: Aventura

Elixir da longa vida

Acabo de receber um e-mail que diz, com todas as letras e verbos, isto:
(sem grifos no original)
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Beba água com estômago vazio.
Hoje é muito popular no Japão beber água imediatamente ao acordar. Além disso, a evidência científica tem demonstrado estes valores. Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores. Para doenças antigas e modernas, este tratamento com água tem sido muito bem sucedido. Para a sociedade médica japonesa, uma cura de até 100% para as seguintes doenças: Dores de cabeça, dores no corpo, problemas cardíacos, artrite, taquicardia, epilepsia, excesso de gordura, bronquite, asma, tuberculose, meningite, problemas do aparelho urinário e doenças renais, vômitos, gastrite, diarréia, diabetes, hemorróidas, todas as doenças oculares, obstipação, útero, câncer e distúrbios menstruais, doenças de ouvido, nariz e garganta. Método de tratamento: 1. De manhã e antes de escovar os dentes, beber 2 copos de água. 2. Escovar os dentes, mas não comer ou beber nada durante 15 minutos. 3. Após 15 minutos, você pode comer e beber normalmente. 4. Depois do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas. 5. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 2 copos de água, no início podem começar por tomar um copo de água e aumentar gradualmente. 6. O método de tratamento cura os doentes e permite aos outros desfrutar de uma vida mais saudável. A lista que se segue apresenta o número de dias de tratamento que requer a cura das principais doenças: 1. Pressão Alta - 30 dias 2. Gastrite - 10 dias 3. Diabetes - 30 dias 4. Obstipação - 10 dias 5. Câncer - 180 dias 6. Tuberculose - 90 dias 7. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento por apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diáriamente. Este método de tratamento não tem efeitos secundários. No entanto, no início do tratamento terá de urinar frequentemente. É melhor continuarmos o tratamento mesmo depois da cura, porque este procedimento funciona como uma rotina nas nossas vidas. Beber água é saudável e dá energia. Isto faz sentido: o chinês e o japonês bebem líquido quente com as refeições, e não água fria. Talvez tenha chegado o momento de mudar seus hábitos de água fria para água quente, enquanto se come. Nada a perder, tudo a ganhar...! Para quem gosta de beber água fria: Beber um copo de água fria ou uma bebida fria após a refeição solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso retarda a digestão. Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida mais rapidamente do que o alimento sólido para o trato gastrointestinal. Isto retarda a digestão, fazendo acumular gordura em nosso organismo e danifica o intestino. É melhor tomar água morna, ou, se tiver dificuldade, pelo menos água natural. Nota muito grave - perigoso para o coração: As mulheres devem saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos vão ser uma dor no braço esquerdo. Esteja atento para uma intensa dor na linha da mandíbula. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito durante um ataque cardíaco. Náuseas e suores intensos são sintomas muito comuns. 60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem e não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar de um sono profundo... Sejamos cuidadosos e vigilantes.
-
E a mensagem terminava dizendo que cardiologistas do Japão recomendam isso, e que - outra vez ipsis litteris - : "ser um amigo verdadeiro é enviar este artigo para todos os meus amigos e conhecidos". Eu, em detrimento dos conselhos dados, deixo bem claro que acabei de acordar e tomei uma limonada gelada, porque estava com vontade, como faço com tudo que possa vir a ingerir: É sempre por vontade. Talvez "os japoneses" dissessem que limonada em jejum é tratamento só pra quem anda doce demais, mas na minha conjuntura isso pode acarretar problemas como artrite, artrose, chances de um enfarte, câncer, tuberculose, pneumonia, e essas são só as doenças as quais eu me lembro agora. Mas eu daria de ombros como fiz com o "artigo" sobre a água com estômago vazio, porque isto está muito além do limite do meu discernimento. E aconselham água morna! Quem é o infeliz que tem apetite de tomar um copo de água morna? Esbarro nas convenções sociais, não consigo me orgulhar disso, mas me alegro, ao menos, de conviver com gente que me parece um pouco mais razoável: Aqui em casa, se eu pusesse um copo d'água no microondas para beber depois do almoço sob o argumento de que "os japoneses o fazem para melhorar a digestão", me interditariam sem demora. Também porque, meu organismo não é retardado, por sorte. Ou ao menos a parte dele pensante, não é. Pois bem. Não pretendo ganhar sintomas de incontinência urinária por vontade própria. E sobre a nota muito grave de que a qualquer hora eu posso morrer dormindo com um ataque cardíaco, ou de que não serei uma "amiga verdadeira" se não transmitir essas informações valiosas aos meus amigos, muito bem, obrigada! Preferiria que os senhores não tivessem feito menção. E digo mais: Não é porque o hábito vem do outro lado do planeta que isso confere validade a ele. Muito pelo contrário, também por isso ele não faz o menor sentido para mim.
"Os japoneses" que me perdoem, mas eu abro e-mails por qualquer coisa que não seja receber dicas de saúde e conselhos macabros. Ao pessoal de olhos puxados vai o meu agradecimento por essa tentativa árdua de me convencer a ser natureba e a informação de que água, ser estranho que sou, eu bebo porque tenho sede, não pra ser imortal. Por último, meu despreocupado ensinamento... Sejamos espirituosos. E desconcertantes.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Lado B

Há uma versão Lado A de nós que parece não se importar com nada. Entretanto, não posso fugir do fato de que tanta clareza na sua ideia de incompatibilidade quase me deixa cega, querido. Você pensa nisso com tanta convicção que pensa por nós dois. Surtada, não sei fingir que a enxergo e que por mim tá tudo bem assim. Esse jeito bem adequado de me responder sempre como fosse um ponto final, como quem dá as cartas, suscita dúvidas substanciais sobre o adiante e me deixa farta de pele, de ti, o que talvez seja bom, já que quando a gente se farta é porque tem em abundância e se tem em abundância não precisa de mais. Da porta pra dentro ninguém se atreve a falar do amor e da porta pra fora parecemos nos lembrar de que o tal do amor é só o que importa. Do que vale a insanidade sem um pouquinho de incerteza sobre sentir? Salve-se, desse nosso desmedido alvoroço de loucura tão estranho, quem puder... Quem puder não querer mais, sem precisar, quando nem deveria. Salvem-se todos e inventem um Lado C.
Uma terceira faceta pra essa história.
Me parece cruel ter de escolher entre as duas já existentes...

Senhas

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos...
Eu hospedo infratores
e banidos.
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências...
Eu não gosto de maus tratos
(...)
Eu aguento até os modernos
e seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas...
e suas verdades perfeitas
(...)
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias!

Eu respeito tiranias
E compreendo piedades...
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto
é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto.

Eu gosto dos que têm fome!
Dos que morrem de vontade...
Dos que secam de desejo
Dos que ardem.

Adriana Calcanhotto (sim, outra vez!)

domingo, 15 de agosto de 2010

Do que é bom, fica um merecer

Não pediria que levasse a segundo plano uma vida perfeita. (alegre-se, é possível que essa tenha sido a maior vitória do meu altruísmo de todos os tempos) E não pediria que não me fizesse sofrer porque, sabe, eu me permito. Eu me permito, até, sofrer. Sou um clássico exemplo da imaturidade: Arrisco, ouso, sou imprudente. Ou eu teria fechado as portas pra borboletas tão malucas, e originais... cada vez que lhe encontro. Mas não, eu não fecho, lá vou eu e dou chance pro azar. Porque eu acredito no azar, e acredito na sorte. E isso não costumava me ocorrer... Não sei qual foi o momento (porque deve ter havido um momento) em que eu deixei algumas coisas pra trás que não vão mais voltar. Também, não importa, SER é mais divertido do que PENSAR SOBRE SER isso ou aquilo (...) Vale a lição de Wittgenstein sobre os dragões, a qual fui alertada com toda a não-superficialidade que você e ele tem em comum, muito antes de conduzir os seus gestos em direção a um dragão que cuspiria - com gosto - fogo por todos os poros: Quiçá tivéssemos parado por lá, nesse alerta, a tempo de nem sei o quê. Agora, ao contrário, parece haver uma ojeriza da piedade morna que paira sobre as nossas cabeças... Mas se eu sempre soube onde ia dar, desde antes do início, que raios está havendo? O que é que me dói nessa dó do que não foi!? Talvez doam as respostas apressadas. A pergunta que não têm mais razão de ser. O bilhete não lido. As formas novas e as formas velhas. Sobretudo e sobrepondo-se, contudo, há algo muito macio a esse respeito, a nosso respeito, que continua sem explicações... Há todas as coisas espetaculares condensadas por nós no sorriso. Num sorriso que oferecerei a você com naturalidade espantosa da próxima vez que lhe encontrar, com a calma que me é tão rara. Pois, cá entre nós, longe do amor, do calor ou do Hélio, há o merecimento do sol por inteiro, o cultivo de plantinhas vigorosas, e o infinito e o para sempre. Merecemos as palavras esquecidas por motivos óbvios, merecemos o que arde, merecemos tudo o que foi capaz de produzir euforia misturada com felicidade (...) Queria falar da paixão, de vontade de beijo, de um consolo que eu não preciso. E olha que isso nem é tudo... Mas até tudo parece pouco agora. "Não vou roubar um tempo que você não tem." Ou não quer ter... Por mais cruel que isso pareça. Enfim. Dessa Vida, dessa Estória, desse Desejo, desse Pesar, dessas Borboletas, da minha ânsia de ser um pouco mais. Que seja doce, que seja doce, que seja doce sete vezes. As multiplicadas sete vezes de Caio Fernando. Nós merecemos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Qualquer coisa que o valha

- Triste, querida?
- Gripada.
- Essas gripes de hoje em dia!
Deixam marca de lágrima [...]

Metamorfose

Mesmo com cara de nome próprio exclusivamente feminino, todos foram ou serão Sônia um dia. Mas prefiro falar só de minha Sônia. Um egoísmo justificado: Corro risco menor de errar falando de algo sobre outro algo com que convivo de perto do que sobre os algos dos outros. Sônia é quando todos adormecem, menos você. A cidadezinha inteira se apaga, menos você. Sônia é ausência de bocejos. Não se contenta com o travesseiro, sempre alto ou baixo demais. Reclama. Mesmo no escuro, Sônia vira para um lado e vê a parede branca, rola para outro e consegue saber onde está cada móvel, cada objeto. Para cima Sônia já se cansou de olhar porque conhece cada falha imperceptível, que só vai atingir a estrutura do teto daqui pelo menos dez anos. Sônia gosta muito de relógios, mas em noites de Sônia o tempo passa com uma lerdeza que é, digamos, o dobro da lerdeza habitual dos ponteiros. Reconhece os latidos dos cães de cada vizinho e sabe com precisão quando uma das poucas motos ou dos poucos carros passa pela rua principal, e passa de um a dois deles a cada meia hora nas madrugadas médias, porque já fez as contas. Sônia é tudo no que se pensa ou não se pensa em horas de vazio noturno. Sônia é o tédio que as insônias me causam.
Já disse, no início, que todos foram ou serão Sônia um dia, mas não se assuste, não. Às 5:15 o primeiro galo canta, às 6, com sorte, a cidade começa a amanhecer e as chaleiras dos mais apressados, fervendo água para o café da manhã, são como megafones informando que é chegada a hora de Sônia partir, porque não faz mais sentido. O próximo dia dissipando a última noite parece fazer com Sônia exatamente o que faz com as estrelas... Toma-lhe o status, a importância, o fundamento. É hora de levantar e se camuflar em meio a quem nem sonha que alguém foi Sônia, a quem não tem noção dessa metamorfose que ocorre vez em quando. Quem já se transformou num insone, Sônia ou não, não se esquece... E pra ser franca eu até lhe sou grata por pôr os pensamentos em ordem enquanto eu estive sabe-se lá aonde. Até mais, minha cara...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

In-Incrível

Sou daquelas que não acumulam rugas e não precisam tomar remédios pelas pequenas frustrações, não fazem cena e também não se sentem obrigadas a ter alguém consolando-as sempre que um relacionamento acaba, e outro, e outro, sucessivamente. Eu me basto. E se isso é ser uma espécie não-incrível de pessoa? In-Incrível, muito prazer.

Parascavedecatriafobia (de te ver)

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás também
o que nos juntou...
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só pra saber
o que você achou...
Dos versos que eu fiz
E ainda espero
Resposta...

Skank

(E hoje é 13 - Sexta-feira!)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Barbies

Sempre detestei barbie girls. Venho lutando para parecer que esta é apenas uma condição e não me atinge, mas eu sempre as detestarei.
As barbie girls são aquelas garotas que a vida toda tiveram tudo e muito, muito mais do que precisavam - tanto, a ponto de não dar o devido valor a absolutamente nada. As barbie girls do meu tempo eram fúteis e combinavam até a cor da calcinha com a cor da meia; mas combinar "o tico e o teco" foi coisa que elas nunca souberam fazer. Tomavam pé de todas as tendências e praticamente nunca sabiam patavinas das tabuadas como a de 7 ou 8. A conjugação de verbos apropriada, então, era artigo de luxo para as que perderiam algum benefício caso tirassem notas baixas em língua portuguesa. Sentavam-se sempre nas carteiras do meio e eram muito cheias de não-me-toques. Populares, e em geral muito comportadas, atraiam olhares dos belos e seus cabelos irretocavelmente lisos ou irretocavelmente crespos eram de admirar pelo tamanho, brilho e maciez. E elas se admiravam nos seus espelhinhos cor-de-rosa com um amor-próprio de dar dó.
Quase nunca abriam a boca para contatos com o mundo dos nerds que queriam algo da vida, o que era uma sorte, porque se regurgitassem toda a purpurina que abrigavam no lugar onde deveria haver um cérebro em parcelas muito grandes, isso teria sido letal para mim.
Mas, como todos os seres devem evoluir - ao menos em idade - as barbie girls do meu tempo cresceram. E que desgraça sem tamanho parece ter ocorrido! As barbie womans continuam se achando o umbigo do mundo com uma porção de neurônios a menos do que um jumento - embora eu não esteja certa de que os jumentos possuem neurônios. Algumas entraram na faculdade e ignoram o fato de que seus pais ainda lhe concedem mesadas generosas para fazer sabe-se lá o quê, ou realmente sabe-se: Comprar suas roupinhas combinantes para sair de casa todos os dias como se o destino fosse a Fashion Week. São adeptas das filosofias "sua inveja aumenta o meu ibope" e "estilo, ou você tem ou você tenta" e "gostou? papai e mamãe que fizeram". Em síntese, são um nojo de pessoa e me deixam nauseada.
Daquele comportamento cheio de sorrisinhos forçados elas herdaram uma capacidade de dissimular timidez e humildade, dos olhares dos belos um narcicismo do tamanho de sua futilidade, e os cabelos provavelmente receberam se não tintura loira, escova progressiva. E eu não haveria de me esquecer: Seus acompanhantes, namorados ou mesmo amigos são os caras mais babacas de que já tive conhecimento (os "kens" - que renderiam outro post como esse), mas não é para menos... Para aguentar os ataques de birra ou ciúmes de uma barbie woman, só mesmo tendo uma ervilha verde e pequena na área reservada para o pensamento. Algumas agora se acham rebeldes - o que é capaz de justificar as péssimas notas e raciocínio lento para assuntos de exigência das capacidades mentais. Elas querem "curtir" e nas festas estão sempre com cara de chata e nariz empinado, mas deslumbrantes. Não pagam imposto para se aborrecer e fazer dengo para irem pra casa antes da meia-noite.
No fundo, no fundo, poucas me tiram do sério (salvos os casos de quando elas se reconhecem a quilômetros de distância no corredor e saem falando das próprias roupas). Na verdade, eu tenho mesmo é inveja - logo, faço o ibope delas às avessas - inveja desse jeito de ser mimada onde, para sempre, o universo acabará na última página do catálogo das marcas famosas ou na compra do primeiro exemplar do lançamento do que quer que seja - relacionado à moda, claro, porque dos livros, de verdade, elas não se agradam. O mundo deve ser mais leve para elas, mais simples.
Ainda ontem tive de enfrentar uma barbie girl crescida. E como são presunçosas! De fato, não sei que componentes químicos causam satisfação às pessoas que convivem com as barbies, sei apenas que não os possuo. Também não tenho vocação para ser amiga de alguém que pensa que quebrar uma unha tem relevância muito acentuada. Enfim, sou uma barbie completamente ao contrário e me orgulho de ter um humor que oscila, bem como antipatias à primeira vista, conteúdo. Me orgulho de ter um número maior de argumentos do que de sapatos, me orgulho de ter algumas preocupações que transcendem os ditames das passarelas. Porque morro de medo de ser confundida com elas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Retrato pra Iaiá [2]

Iaiá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade. Pois é que assim, em ti, eu me atirei e fui te encontrar pra ver que eu me enganei. Depois de ter vivido o óbvio utópico, te beijar... E de ter brincado sobre a sinceridade e dizer quase tudo quanto fosse natural... Eu fui praí te ver, te dizer: Deixa ser. Como será quando a gente se encontrar? No pé, o céu de um parque a nos testemunhar. Deixa ser como será! Eu vou sem me preocupar. E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar. De perto eu não quis ver que toda a anunciação era vã. Fui saber tão longe mesmo você viu antes de mim (...) E agora o que sobrou: Um filme no close pro fim. Num retrato-falado, eu fichado, exposto em diagnóstico. Especialistas analisam e sentenciam: Oh, não! Deixa ser como será. Tudo posto em seu lugar. Então tentar prever serviu pra eu me enganar. Deixa ser. Como será. Eu já posto em meu lugar, num continente ao revés, em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.
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Hermanosssempre!
De novo, de novo, de novo. (feito mantra)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Inescusabilidade legal

Um dos meus projetos de crime mais recente, lembro bem como lembro de todos os outros que o precederam e sucederam, foi planejado. Fiquei uma semana inteira às voltas com os preparativos, preocupações, distrações, ligações. (Entretenimento em geral, a um preço que... bem, deixemos o preço de lado porque a mim ele foi bem razoável!)
Por excelência, os projetos de crime são aquelas oportunidades onde tudo contraria o que deve ser correto, mas como não está escrito e limitado por autoridade de outrem, a gente vai contravencionando a norma - que não existe - em consonância do próprio frio na barriga. Da cura das expectativas. Das "histórias para contarmos aos netos".
Eles podem ter várias formas, inclusa a forma do meu primeiro projeto de crime. Mas nem o planejamento é capaz de configurar uma qualificação de delito muito grave. É curioso como não sei dizer porque é que os projetos de crime nunca são encarados como crimes de fato... Talvez porque poucos ou ninguém os descubra, por essa dificuldade em si. Talvez por fazerem males irrisórios. Mas creio eu, dotada de zombaria, que os projetos de crime são apenas projetos pois entre as consequências, resultados e efeitos está um enigmático riso de contentamento a cada recordação. E por esse projeto de dano, deliciosamente irreparável, ironicamente incontido, nenhum criminoso poderá responder.





"Eu, projeto de bad girl."
ou
"Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege."
(Ainda bem!)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Água ele não é

Você dá dois pulinhos, e para. Outros dois, e para de novo. Então acelera e quase não se contém. Danou-se, Coração! Lá vem o amor indefinível como antes! Aí eu emudeço, óbvia, assistindo o bicho amor te roer e você tomar vida própria. Sorte que eu tenho as rédeas... Ou, ao menos, estavam aqui até agora há pouco...

domingo, 8 de agosto de 2010

Meu pai é meu herói

Nós sempre fomos excessivamente parecidos. Em tudo. O meu nariz é o dele, meu time é o dele, minha comida preferida dos almoços de domigo é a comida que ele gosta e minha teimosia é a teimosia dele. E isso é só o começo.
A transformação de um homem em pai, ouvi falar, é bem mais lenta do que de uma mulher em mãe. Um pai demora a assimilar um filho, pelo que dizem, mas essa história eu conheço mesmo só de ouvir falar. Se pais são assim, não o meu. E eu acredito que é assim como o meu pai que todo pai deveria ser. Minha mãe sempre conta uma história de um dia em que discutiram, ela na gestação, e ele dormiu a noite toda com as duas mãos no seu barrigão de grávida, pra que eu tivesse convicção de a bronca ser só com ela, e nunca comigo. Desde lá, certo que é desde lá, eu tenho um elo indissolúvel e "massa" demais com o meu pai. Soube que ele adorou saber que eu era uma menina, que escolheu meu nome, trocou minhas fraldas, trabalhou duro pra que todos os meus pequenos caprichos de pequena criança fossem atendidos (como é até hoje) e cuidou de mim enquanto a dona Cátia ia à faculdade... Também em outras infindas oportunidades. Estufava o peito para contar aos amigos minhas notas e minhas proezas escolares (como é até hoje). E me ensinou a dirigir, e consentiu a contragosto as minhas primeiras saídas noturnas, com aquele pé atrás que todo pai de menina é acostumado a ter. E foi sendo importante, e se tornando único.
Hoje, também por esse ciúme de pai e esse cuidado em demasia, adoro ser sua filha. Me sinto preciosa com tanto amor vestido de rigor. E não há data mais apropriada para confessar essas coisas do que o segundo domingo de agosto, não é!?
Acho que os pais sempre foram um pouco injustiçados, porque na maioria das vezes não sabem dizer com todas as palavras o quanto nos amam e zelam por nós... Mas nos amam muito mais do que imaginamos, e demonstram isso com a amizade que às vezes não valorizamos, não percebemos. Os pais que conheço precisam, quase todos, serem a perfeita combinação entre provedor, fortaleza e exemplo... Porque essa é a ideia pronta de pai, de homem. Pode ser por isso que se esquecem de demonstrar carinho: não sabem um jeito, não podem demonstrar que tem fragilidade. Querem ser os nossos heróis para sempre. O meu, está dito, cumpre bem esse papel, e no auge de seu excesso de pontualidade, seriedade, preocupações e caráter, encontra tempo para ser afetuoso comigo nas atitudes mais simples, como ter uma foto minha no papel de parede do seu celular.
Acho que isso também é digno de nota: Sou privilegiada com um pai que sempre tenta não repetir os erros do próprio pai. Que dá o sangue por mim, que confia em mim, que sai em minha defesa em qualquer circunstância, pra só depois perguntar se eu tinha razão e acertar as contas que, aí sim, precisam ser acertadas entre nós. Meu pai prefere me ensinar/educar/mostrar o seu jeito de viver o mundo, com suas soluções teoricamente adequadas, pra que o mundo, com seus modos de quem fere, não precise me ensinar absolutamente nada... ...coisa de pai.

Me assusta a possibilidade de decepcioná-lo. E sinto forte a obrigação de retribuir o fato de eu ser a princesinha dele com motivos para que sinta orgulho. Mesmo sem perguntar como a vida anda, como está isso, como vai aquilo, indiretamente meu pai dá um jeito de saber e me ajudar quando preciso. E preciso admitir que o seu Marcos tem um silêncio que vez ou outra me dói... Mas esse mesmo silêncio já me ensinou diversas coisas que só um silêncio de pai é capaz. Embora eu não saiba se posso falar por todos os filhos do mundo. Mas, que seja. Se outros pais não são únicos como o meu, azar dos filhos deles. Isso só engrandece o jeito do meu pai de ser pai: Tão amigo, tão especial.
Então feliz dia dos pais para o meu pai, que é o máximo. Que tem virtudes que se agigantam na comparação com suas fragilidades... Pois heróis, heróis do cotidiano, heróis de verdade, podem até não ser invencíveis ou perfeitos. Mas fazem de tudo para sê-lo em nome de quem amam.

sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Aniversário e vergonha

Hoje é meu aniversário e estou muito feliz, porque gosto de aniversariar. Gosto mesmo. Completar uma idade nova deve significar que vivemos mais um ano inteiro - e anos inteiros sempre são repletos de coisas boas, a exemplo do que nos desejam nesta data. Mas talvez, para mim, os aniversários tenham um significado diferente. Aniversariar é estar cada vez mais próxima do futuro, e eu tenho pretensões imensas e felizes para o meu futuro.
Acho, e preciso repetir, que a vida é muito boa comigo. Tudo até aqui veio no tempo certo, ou ao menos é assim que eu tentei encarar as coisas, se fossemos retrospectivear. Não tenho medo de envelhecer - pelo menos não por enquanto - ou seja, quero que as coisas venham sempre a seu tempo, mas que venham logo.
Só tem uma pontinha de infelicidade: De tempos em tempos me concentro muito - muito mesmo! - em minhas vergonhas. Fatalmente, este período coincidiu com a semana do meu aniversário deste ano. No meio das tarefas domésticas, dos exercícios do trabalho, das aulas. Penso em coisas que fiz e... Puts! Lá vem a vergonha de novo, e fico rindo descontrolada de cada colocação fora de hora, cada piada sem graça, cada idiotice, cada passo em falso, cada situação cômica em que eu mesma me pus.
Mas e aí você vai me perguntar: E o que o aniversário, algo até então legal, tem a ver com as suas vergonhas? E eu vou responder que o que mais me assusta, nessa data, são os engraçadinhos que não perdem a oportunidade de "puxar os parabéns". Porque sempre há um desses e, salvo raros casos, em outras ocasiões eu o sou. O engraçadinho sabe, porque ele próprio aniversaria, que a hora dos parabéns é a mais envergonhante de todas as horas da vida de uma pessoa.
Eu não coro fácil, que o diga quem me ouve proferir os maiores absurdos e piores gracinhas com cara séria e sóbria e tudo de quem está recitando um caput da Constituição, ou um versículo da Bíblia. Tenho uma cara de pau do tamanho do universo... Acho que é exatamente por isso que, quando me envergonho, o momento fica marcado. Não tenho meios para esconder que estou envergonhada na hora dos parabéns, não tenho onde pôr as mãos, não tenho para onde fugir, não tenho como desconversar. É a hora em que todas as pessoas ficam impotentes diante da concentração alheia. O que ameniza essa desgraça chamada parabéns é que na maioria das vezes, estamos rodeados por pessoas as quais gostamos muito! Então, vá lá.
Enfim, caros leitores, estou de aniversário e anunciei isso, muito, durante a semana, para que não esquecessem de mim. Porque sou egoísta e carente em todo começo de agosto e morreria se ninguém se lembrasse de me desejar tudo de bom, muitas felicidades, muitos anos de vida, parabéns pra você nessa data querida. Pois então, são 9 da manhã e já recebi mensagens no celular, no espelho com batom, por e-mail, no msn... Adoro esse excesso de atenção! Contudo, estou temerosa de quando irá chegar aquela horinha constrangedora e hoje, invariavelmente, esta ameaça estará em cada aglomerado de amigos.
Mas você há de concordar comigo: Que bom seria, que maravilhoso seria, se toda vergonha pela qual passamos terminasse em abraços, felicitações, presentes, velinhas e idade nova...
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Salve, salve, 17!
Aposto tudo de mais valioso que
você será tão surpreendente
[ou mais]
do que todos os outros.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Comodidade

"Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia – será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma."

C.L. (que não, não é a G.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

C de Café

Que me desculpem as melancias, morangos e melões mas, por decisão (e também falta de atributos) sou Mulher-Café. Pequenino grão, café não é saudável como as frutas, e pra ser franca também não é recomendado em larga escala.
Quando o café está quente, muito que bem, quando frio é preferível que não se consuma, as reações podem ser desastrosamente nauseantes e você pode odiar café pelo resto de seus dias. Ou seja, não faça café esfriar, em hipótese alguma. Café é coisa séria, a saber por poder estar presente a qualquer refeição ou hora do dia. As coisas por aqui são um pouco diferentes e, não-raro, encontro um ou outro viciado em alguma de suas propriedades de nomes desconhecidos. Fico pasma. Há quem goste deste universo de possibilidades brutas ou refinadas, a formar capuccinos, expressos, balas...
Talvez café já tenha sido muito valioso em algumas circunstâncias, e sua condição de especiaria, ao que se sabe, está moderadamente ligada ao seu ciclo. Nem sempre o café tem o mesmo valor. Poderia cair no clichê de dizer que "uns adoram, outros odeiam, invariavelmente" mas prefiro partir do pressuposto de que quem prova, não esquece. Seja porque adorou, seja porque detestou. Mais dia menos dia, pois, esteja plenamente preparado(a) para reconhecer sua natureza concentrada.
Café pode matar a sede. E pode ser um adicional. Me agrada a última, embora acredite que além de abalroar-se elas possam se alternar, ou mesmo coexistir. Café vai bem para o ânimo. Contudo, melhor não se aproximar caso possua uma gastrite. Com qualquer confusão em seu sistema digestivo, afinal, melhor passar batido: Café tem lá suas exigências, como era de se esperar. Não seria plantado, colhido, escolhido, moído e cuidadosamente embalado à vácuo para consumo à revelia. Pode até ser popular, mas não é, nem de longe, adequado para todos.

Seguidas as instruções, tão desnecessárias, adoce com gosto e sirva-se no limite da satisfação. Ou não.

domingo, 1 de agosto de 2010

Faltam cinco dias!

Depois de um mês de julho maravilhoso, há de vir um agosto espetacular!
Bem-vindos sejam os meus dezessete anos
e que tragam muito mais alegrias, confusões, sucesso, paixões e surpresas.
O resto, é resto.


"(...) e quem aguentar, aguentou. Como prêmio terá o meu amor. Saberá da minha verdade. Dará boas gargalhadas, mas terá que suportar uma boa dose daquilo que sinto. Pois, apesar de tudo ser diversão, nada é simples. Nada é pouco quando o mundo é o meu." Fernanda Young