terça-feira, 4 de maio de 2010

Frágeis testemunhas de um crime sem perdão¹

Em um autodiálogo sobre querer aparecer ou querer me tornar invisível nos próximos dias, sou levada até elas, novamente. As unhas. Hoje, ainda mais especificamente, as dos meus pés. Pintadas de rosa. Rosa chiclete, o nome do esmalte. Porque alguém já disse um dia que o cor-de-rosa é um vermelho... mas muito devagar. E me apetece a história do vermelho devagar. Mas aí você vai me dizer: "É outono, e ninguém vê as tuas unhas do pé no outono. Por que não pinta as da mão, que aparecem mais?" Porque são reflexões desse tom que você costuma fazer. E eu vou responder que as coisas em mim que todos notam, todos veem, são mais difíceis de modificar. Contudo, há muitas coisas em mim que quase (quase, para efeitos de conformismo) ninguém vê, como unhas do pé no outono, e que mesmo assim me são muito importantes...
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¹ Ao som de: Engenheiros do Hawaii - Refrão de Bolero
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Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.
Sempre, Caio F.

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