quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Riminha à toa

Tropeço sempre no mesmo degrau. Como quem repete as roupas a partir da terceira semana da estação. Há um tempo de abstinência em que cometo novos deslizes. Mas logo depois, tropeço sempre, voltando às minhas raízes. Claudicante, não nego a rima, não é à toa. Eu me repito por mais que doa. Volto à velha sensação de perna manca. Mais dois centímetros, um tanto de discernimento... Mas logo a vida me atravanca. Fosse um pouco mais de espera e elucidação, um pouco menos de esmero e abrir porta de geladeira... O mundo não me seria nem bom nem mau. Se eu fosse um pouco mais genial. Mas não, avanço matreira. Vem-me essa sequência de disritmia... E aí, adivinha? Melancolia, dor de viver, perturbação e calmaria. Isso tudo até podia virar poesia. Não dou a prosa a torcer. Teimosa, não quebro a linha. Veja só, são tantas vezes que nem meço, só tropeço de novo. Não é lá muito legal. É constatação tola e eu, sempre inovadora, não deixo a mim de ser brutal. Riso sem graça, aceno contido, a esperança é reaça: Não me liberta. Mas também não me provoca. E me conserva sempre o não todo dito. A negativa é velada, o fim calada é o que peço. O recomeço, um retrocesso. Outra escada. Mas sempre o mesmo degrau.

Um comentário:

Jean Pierre Costa disse...

Somos Sísifo, somos conscientes, somos trágicos porque temos esperança de triunfar sobre o absurdo; não fosse isso ficaríamos ao pé da montanha.