sábado, 30 de outubro de 2010

Cartas pra você - "Me diz, o que é pouco tempo..."

Hoje faltou luz por uns vinte minutos. Perto da meia-noite. Tava sozinha em casa, então me pus a pensar e parece que, como diz aquela outra música, toda vez que falta luz o invisível nos salta aos olhos. Acendi uma vela com cheiro doce das que ficam de adorno na estante e que a gente pensa que nunca vai ocupar, mas ocupa. Foi o que bastou para encontrar um caderno e começar a escrever à moda antiga...

Gosto de você, e acho que isso é um ótimo começo para partirmos à análise de qualquer coisa. Descobri comendo um X-calabresa, há cerca de uma semana. Nunca tinha descoberto como se devia amar alguém enquanto comia hamburgeres e digeria presuntos-pepinos-milhos-queijos e pães e calabresas, mas foi assim que ocorreu. Tava sentada na lanchonete da praça, de frente pro rio, quando ouvi dizer que, quando gostamos, devemos valorizar o que o cara tem de bom, dando ombros para as imperfeições. Foi o início dessa semana tão agitada, que eu jamais poderia prever que fosse acabar tão tranquila, tão bem. Parei de chorar. Tudo tinha razão de ser.
Na segunda, achei que você devia saber que ainda te amo. Acordei inspirada e te fiz um texto de bem mais que uma página destas. Sincero. Na terça, teu coração, quase comovido, achou irresistível vir falar comigo, e eu, apressada, nem soube como responder. Na quarta te dei um tempo de mim e analisei cada ensaio de beijo que se foi pra nunca ser. Na quinta te senti distante, na sexta tive certeza. Hoje pela manhã chorei, choramos. É que o teu chorar ultra-agiu, e eu senti no meu choro todos os choros que você derramou desde que parti. Eu sou você, às vezes.
Hoje à tarde, pensei em duzentos jeitos de te provar que eu quero ser tua outra vez, confiante, honesta, de mãos limpas. E já de noite, escrevi. Faltou luz, sobrou amor. Agradeci aos trovões e à companhia elétrica por poder te confessar pelas letras, quase em tom de segredo - às sombras da chama que ainda queima - que te quero bem mais do que pode explicar o meu parco léxico. Sei dizer que a nossa história daria um livro. De romance. Dos bons.

Muito obrigada por ler. Obrigada por escrever e ler.
São semi-intenções de dizer que te amo. Sou feliz, imenso, por você existir.

Um comentário:

Cátia disse...

Admiro muito as pessoas que demonstram os sentimentos, sejam eles doces ou não.

Escrever é uma forma de avisar o mundo o que a gente sente.
Ainda que "pareça" que o mundo não queira ouvir...

Nesta vida a gente está para amadurecer, exatamente como você está fazendo.


Eu te amo e te admiro muito pela tua doçura, pela tua fibra e principalmente pela forma que estás te tornando uma mulher.

Só os corajosos se arrependem e verbalizam isto.
Entenda quem quiser e for grande o suficiente para tal.

Te amo Cau.
Do maior amor e mais incondicional que alguém pode sentir.

Tenho orgulho de ti!
Tua mãe , que hoje resolveu passar aqui!