terça-feira, 10 de agosto de 2010

Inescusabilidade legal

Um dos meus projetos de crime mais recente, lembro bem como lembro de todos os outros que o precederam e sucederam, foi planejado. Fiquei uma semana inteira às voltas com os preparativos, preocupações, distrações, ligações. (Entretenimento em geral, a um preço que... bem, deixemos o preço de lado porque a mim ele foi bem razoável!)
Por excelência, os projetos de crime são aquelas oportunidades onde tudo contraria o que deve ser correto, mas como não está escrito e limitado por autoridade de outrem, a gente vai contravencionando a norma - que não existe - em consonância do próprio frio na barriga. Da cura das expectativas. Das "histórias para contarmos aos netos".
Eles podem ter várias formas, inclusa a forma do meu primeiro projeto de crime. Mas nem o planejamento é capaz de configurar uma qualificação de delito muito grave. É curioso como não sei dizer porque é que os projetos de crime nunca são encarados como crimes de fato... Talvez porque poucos ou ninguém os descubra, por essa dificuldade em si. Talvez por fazerem males irrisórios. Mas creio eu, dotada de zombaria, que os projetos de crime são apenas projetos pois entre as consequências, resultados e efeitos está um enigmático riso de contentamento a cada recordação. E por esse projeto de dano, deliciosamente irreparável, ironicamente incontido, nenhum criminoso poderá responder.





"Eu, projeto de bad girl."
ou
"Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege."
(Ainda bem!)

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