domingo, 15 de setembro de 2013

Descompensada

A solidão descompensa. É perder a intenção de andar ao lado e perder a direção do amor. Chorar e violentamente não saber parar a despeito de todas as tragédias, da morte, de todas as coisas piores para as quais as lágrimas deveriam permanecer sempre guardadas. Em dias assim, meu choro é uma agressão contra a minha maturidade. É uma contradição - de ter pena de si mesmo detestando sentir pena. Não sei explicar, não sei explicá-lo. Só vai e esvai. Eu me despejo, covarde, ao lembrar do que não foi dito em prol de uma tentativa imediata. Lembrar de todas as marcas de ponta de faca depois de todos os murros, insistências descabidas. E então hesitar.
Eu vou secando ao ver a vida andar e sorrir de novo. Abrir-se de novo, e pretender de novo. E então recaio. Recaio na sensação de perder as chances e não querer para si as oportunidades que restaram. Mesmo que sejam melhores, mesmo que sejam escolhas mais óbvias. Mesmo que pareça novo. Não, não. Mais apropriado: Recaio na sensação de não querer para si o peso de precisar de alguém para dividir a insanidade que é oferecer resistência ao mundo, e ainda assim essa mesma falta pesar em mim.
Eu me sinto ancorada no porto de uma ilha desabitada e sinto que estou me perdendo sempre um pouco mais nessa inércia. Eu vou ficando para trás. Minhas dívidas não correspondem aos créditos de alguém. Minha capacidade de oscilar transborda qualquer início. Minha solidão, calada, é tanta... que não cabe na companhia de ninguém.

Um comentário:

Alexandra Lohmann disse...

Texto triste e profundo!

"Minha solidão, calada, é tanta... que não cabe na companhia de ninguém."

Simplesmente perfeito...
Essa frase final descreve muito bem o que eu sinto também!