sábado, 9 de junho de 2012

Hoje eu entendi: Sonho não se dá.

Acho que, quando me inventaram, 
exageraram tanto na dose do 'complicada' 
que eu acabei ficando sem a parte do 'perfeitinha'.

Reescreveu rindo mentalmente, embora ele não visse. Dizer aquilo era um atestado de sinceridade muito maior do que o necessário para a ocasião. Era confissão. "Atenuante da segunda fase da dosimetria penal". Mas que podia fazer, se era verdade? Um deletério doce.
É, fazia frio. Não que isso importasse muito - mas há sempre que se dizer algo sobre como os dias foram cinzentos ou ensolarados, ou as madrugadas fizeram tremer, pra que o texto ganhe uma conotação poética, própria dos pseudo escritores de gaveta que escrevem para encontrar respostas. Própria de quem sai com os amigos, pro cinema ou pra beber pra encontrar respostas.
Talvez procurasse respostas que, por óbvio, ele não tinha. Ele era apenas o cara mais descolado que se tem notícias, e com muitas, muitas, muitas garotas na agenda telefônica. Mas uma só na marca de 3x4 da carteira. O cara que passava longe de ser propriamente underground, mas ficava o cúmulo do absurdo de jaqueta preta e as bochechas vermelhas. O cara que achava que sabor de morango artificial parece balinha de freegels. E que não encarava quem andou uns quilômetros pra ver, por nada nesse mundo. Orgulho? Respeito? Timidez? Não sabia. Ele não se deixava desvendar.
Mas ele estava ali outra vez. E isso quase não podia ser verdade. Assim, de graça!? Sem esperanças ou um beijo de verdade, de deixar confuso, na despedida!? "Melhor não pecar pelo excesso", diriam os sábios. E se de sábios não temos nada, melhor nem arriscar num teatro ensaiado de olhar pro celular e soltar um 'não-sei-quem-é,-sei-sim', fingindo as piores dúvidas e negando as realidades mais óbvias...
Melhor sermos humanos, e sinceros.
Esperou-se um sinal de vida, com instintos praticamente maternais, com todas as luzes acesas e piscando. Mas os sinais devem ter sido mais sutis do que ela fora capaz de compreender. Ou tenham sido ofuscados. Ou simplesmente não tenham existido.

Se todo o frio pudesse congelar uma cena, seria essa: Haveria uma garota em pé com as pernas cruzadas, uma garrafa de ice de gengibre na mão e um milhão de confusões a menos de meio palmo de distância. Que ficou ali, inerte, imóvel, parada, e todos os sinônimos mais. Por pura confusão.
Talvez você diga que não adianta apostar em algumas pessoas, nem romantizar histórias que a gente sabe que não devem dar certo. E que há tempo pra tudo! Talvez eu concorde, pensando que se Exupéry visse a cena, acreditaria mais do que nunca que quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer. (Por mais absurdo que aquilo me parecesse a mil milhas de todos os lugares...)

3 comentários:

Jeff Silva disse...

que texto incrível. você que escreve?

Sou C! disse...

Obrigada. É meu, sim!

Jeff Silva disse...

muito legal. vou virar leitor do seu blog.