terça-feira, 1 de setembro de 2009

O admirável Conto da Fada Chata

Fada Chata resolveu calar os sinos que usava para acordar. Entretanto, o (tele)transporte funcionou sem nenhum imprevisto, mas lembrou-se que o bilhete estava carente de renovação. Anotou na agenda da memória: Renovar o bilhete do (tele)transporte. Prosseguiu em companhia do Maquinista Atrativo.
Em destino, os (nem tão) simpáticos duendes Chaveiro e Chaveiro-irmã a esperavam com sorrisos reluzentes. Fada Chata caiu em tentação e contou-lhes sobre as peripécias de seu mundo, tão diferente do mundo dos duendes. Hesitou quando duas da Tríade Formosa vinham lhe dizer às custas que a terceira confessara peripécias de Fada Chata a elas.
Ecoou o som que Fada Chata não queria ouvir: Hora de render-se aos deveres deste belo dever que é ser observada ao passear em filas pelo centro de Fadópolis. Primeiro dia do terceiro Sêm do inverno. Conversas à toa no dia anterior lhe garantiam o motivo de não querer que aquela hora chegasse: Fada Chata tinha por certeza o Quarto da Anames com o Iluminível Eco, sempre tão presente, esse Eco. Fada Chata distraiu-se com observações de duende Chaveiro para a Tríade Formosa, mas pareceu não ser o bastante.
Iluminível Eco puxava seu olhar como um ímã, que com todas as não-doçuras, insensatezes e o braço quase tão forte quanto o da pátria amada, sabia ser atraente em seus mistérios. Tantos-muitos mistérios que carregava, tantos-quantos Fada Chata não sabia contar ou prever. Fada Chata aguardara um arrepio ansiosa, o esperado arrepio que espera quem não consegue ver quem passa por si sem querer olhar. Arrepios são a forma mais sutil de sentir que Iluminível Eco está perto de Fada Chata. Eco não se aproximou com o resto que não fossem os olhos. A agenda da memória de Fada Chata é precisa e às vezes um tanto quanto cruel.

Mas Fada Chata não teve outras emoções intensas ao fim do primeiro dia do terceiro Sêm do inverno, a não ser renovar o bilhete necessário para (tele)transporte.

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