terça-feira, 8 de março de 2011

Nostalgiador

Depois de um dia cheio, adentro a casa e a luz do quarto queima. "Que saudade filha da puta!" é o primeiro pensamento ao ouvir o estouro dentro da lâmpada.
Tomo um banho demorado e coloco aquele meu vestido lilás de risquinhos vermelhos quase comprido demais, com detalhes de manufatura no busto. Amarro os cordões na nuca logo antes de fazer uma repartição simetricamente contestável. E depois brinco de secar os cabelos repartidos no escuro. Ajusto o secador para um jato de ar frio, já que quero acordar para a vida. Miro o rosto. Mantenho a calma, mas quase não consigo respirar. Espero, em vão, que o pulmão decrete falência com um sopro gélido em baixa voltagem. Bobagem a minha. Meu secador e minha nostalgia são parecidos, noto agora. Propositalmente quase me sufocam mas, no fim das contas, têm lugar certo no armário, esquecidos: Ao lado do desfibrilador, inutilizado graças a Deus. E à vida que ando levando.

Cai a noite sobre a minha indecisão:
Sobrevoa o inferno minha timidez.
Um telefonema bastaria, passaria a limpo a vida inteira...
Cai a noite sem explicação, sem fazer a ligação
Esperei chegar a hora certa por acreditar que ela viria
Deixei no ar a porta aberta, no final de cada dia
Cai a noite, doce escuridão...
De madura vai ao chão.
Na hora da canção em que eles dizem "baby"
...eu não soube o que dizer.
Ah, vida real!
Como é que eu troco de canal?

Engenheiros do Hawaii

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