quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Escrevo, logo, existo.

Escrevo pra quem sente as palavras como afeto ou como inquietação. Escrevo pra quem, ao ler, se sinta convidado a pensar, a entender, a se inspirar. Escrevo, também, pra quem não entende nem ao menos uma palavra. E tenta. Pra quem acha o sentido sempre duplo e duvidoso, pra quem acredita que mudar não é uma questão de escolha, e sim de tempo. Pra quem se irrita com a professora, acaba as refeições antes de todas as outras pessoas, pra quem sempre faz as pazes, dá o braço a torcer, ou não.
Escrevo pra gente como eu. Que gosta de ser surpreendida, que gosta de se sentir parecida com alguém. Escrevo pra Claudias, Letícias, Marias, Robertas e alguns Pedros (por que não?) que sentem que o mundo é hoje, que as relações são agora, que o sentir não é superficial. É certo que hoje os dias passam de pressa. Não se pode suplicar interesse, mas eu escrevo só para os interessados. Escrevo pra gente que se sente perdida, e pra gente que se sente o máximo. Escrevo pra gente que oscila. Que um dia está triste e, no outro, feliz. Escrevo pros meus defeitos se acomodarem, pras qualidades ficarem aparentes, pra tudo voltar ao seu devido lugar. Os textos que escrevo me esvaziam os pensamentos, os que leio me enchem de luz ou de dúvida. É um casamento recíproco. Eu gosto do que faz o meu coração se sentir livre e pulsando, logo, escrevo.
As palavras por aqui, embora escritas sempre na tentativa de um significado, o meu significado, são deveras pra quem é mestre na escrita da própria história... Aquela que não precisa de grafite, caracteres ou tinta, pra ser objeto do meu apreço.

2 comentários:

Rayana disse...

Hoje eu não tinha lido nada de interessante. O que fiz então? Entrei no seu blog e li seu texto.
Um beijo.

Karla Mikoski disse...

Escrever organiza um pouco o desorganizado e nos enche de novos pontos de interrogação...Adorei o texto.