quinta-feira, 2 de junho de 2016

Demora em mim

Do tempo que havia um silêncio grudado na boca pra falar de amor. Que eu fazia de conta que não soubesse que dá pra sentir saudade já na presença, e teimava em não sucumbir de idolatria no nosso jeito (sem par, de tão junto, desde o início). Que eu fingia não enxergar o perdão inteiro que se anunciou no reencontro, eu que tive sempre ótima memória. E de nada, nada, nada me valia sem teu traço firme e teu riso largo pra vir à lembrança.
Que dizer agora, que a palavra é fluida? Que o tempo, o desejo, essa mágica - tudo cabe - me mudaram. Mudei eu, e me declaro. Confesso o amor e os pecados sem medo. Visto a camisa. E publico a minha confiança no que sou, és e seremos. Caminha comigo? Vamos juntos. Eu me digo e te bendigo. Faço prece: gasta a pressa com o resto da vida e demora em mim.