Quando viemos ao mundo
os mais versados em perseguir
os subtextos
eram os mais inteligentes.
Ganhavam troféus
Acertando as charadas
Como se o meu amor era
Uma carta daquele jogo de adivinhar ou
Um clique no campo
sempre minado.
Venceu quem acertava
Às vezes por sorte
Outras por faro
Sem explodir
Quem ria primeiro da ironia não passava
a vergonha de não me entender
Nem poderia perguntar
Porque perguntar é ou não é
Afinal
Coisa de burro?
Porque perguntar é ou não é
Afinal
Coisa de burro?
E nós tão tão inteligentes
ajeitando os colarinhos
por fora da presunção costurada
nos blazeres que vestiremos
quando esfria.
Quando casar contigo,
As portas da suíte tremerão sozinhas
Só com o vento que venta
Pela basculante
Nunca porque as estou chacoalhando
Com palmas furiosas de espanto
Não de matar mosquitos, pensamentos
Este estresse avassalador
Que exige o silêncio de recobrar o senso
Esvaído de todo no simples expelir de
Esvaído de todo no simples expelir de
gás carbônico de
um resfriado
mais simples ainda.
Quando casarei contigo,
Esta aflição tão propícia
De querermos e não termos podido
Seria maior
Que o medo
de jamais sermos realmente ouvidos
Esta aflição tão propícia
De querermos e não termos podido
Seria maior
Que o medo
de jamais sermos realmente ouvidos
e ouvintes
Aos gritos.
Aos gritos.