Descobri que cabelos caídos colados com o dedo úmido no azulejo também úmido da parede do meu banheiro são capazes de formar a imagem exata do pensamento que tentei lavar no banho. Sereia, madonna amamentando, uma menina de cabelos compridos segurando um balão de coração, um pescador, um coelho banguela com um cifrão acima da cabeça, uma pedra, um coral. Sobra mais um fio depois de enxaguar a máscara e preciso escolher entre posicioná-lo confirmando ou testando a tese. Um fio a mais e o que eu penso primeiro vira uma coisa negrita, sublinhada, ou inteiramente nova ou disforme.
Os cabelos são como nuvens nessa minha cabeça que nem sempre é céu.