Meu feminismo é felino
Ora feroz
Ora aconchegado
No colo das feras minhas
Tão relaxadas em bando
que amassam pães sobre os pontos
mais tensos pra serem frágeis
tão bem
Ora feroz
Ora aconchegado
No colo das feras minhas
Tão relaxadas em bando
que amassam pães sobre os pontos
mais tensos pra serem frágeis
tão bem
acompanhadas
Meu feminismo é felino
Manifestou-se primeiro
Cravando as fendas
Em ninhos
Nas comumente rajadas
Nas negras e
tricolores
Envelhecidas e
aos gritos
violadas.
Envelhecidas e
aos gritos
violadas.
Meu feminismo é felino
Eu sou bonita e sem raça
Bem gorda e prenha ou
peluda, bigodes e rabo em riste
Tudo
ao contrário afinal caibo
dentro
de caixas
de sapatos
Também
dentro
de caixas
de sapatos
Também
Meu feminismo é felino
Mia alto pela casa
Reivindicando comida;
espaço; liberdade
E espateia por atenção
Com almofadinhas que tocam
Olvidadas do próprio tamanho e
habilidade de se mover
Meu feminismo é felino
Vive o perigo da selva
No ambiente doméstico e, bem,
Nos montes mui másculos
Rasga o chão dos céus
Em que eles sobem sem
andar em
Catwalk
Em que eles sobem sem
andar em
Catwalk
Meu feminismo é felino
Dentes que cravam até deixar
marca
A língua
A língua
espessa
Garras de ter
que usar e afiar
E vez em quando poder
recolher
Garras de ter
que usar e afiar
E vez em quando poder
recolher
Meu feminismo é felino
Ele erra o pulo
Cai de pé
Esgueira fino por um vão
Sobrevive aos biomas e o
Cerrado
Quando é difícil de chegar
Estica-se
E quando alcança vale o impulso
De ter pulado até lá
Só para fazer miau