quinta-feira, 7 de maio de 2026

Gataria

Meu feminismo é felino
Ora feroz
Ora aconchegado
No colo das feras minhas
Tão relaxadas em bando
que amassam pães sobre os pontos
mais tensos pra serem frágeis
tão bem
acompanhadas

Meu feminismo é felino
Manifestou-se primeiro
Cravando as fendas
Em ninhos
Nas comumente rajadas
Nas negras e 
tricolores
Envelhecidas e
aos gritos
violadas. 

Meu feminismo é felino
Eu sou bonita e sem raça
Bem gorda e prenha ou
peluda, bigodes e rabo em riste
Tudo
ao contrário afinal caibo
dentro
de caixas
de sapatos
Também

Meu feminismo é felino
Mia alto pela casa
Reivindicando comida;
espaço; liberdade
E espateia por atenção
Com almofadinhas que tocam
Olvidadas do próprio tamanho e
habilidade de se mover

Meu feminismo é felino
Vive o perigo da selva
No ambiente doméstico e, bem,
Nos montes mui másculos
Rasga o chão dos céus
Em que eles sobem sem
andar em
Catwalk

Meu feminismo é felino
Dentes que cravam até deixar
marca
A língua
espessa
Garras de ter
que usar e afiar
E vez em quando poder
recolher

Meu feminismo é felino
Ele erra o pulo
Cai de pé
Esgueira fino por um vão
Sobrevive aos biomas e o
Cerrado
Quando é difícil de chegar
Estica-se
E quando alcança vale o impulso
De ter pulado até lá
Só para fazer miau