quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Fronteira

Consolo com discernimento
Uma criança que viu
Um relógio de pulso
Quebrar contra a tomada
Com um soco de fúria
E conviveu com o buraco
pelo tempo que se seguiu

Afago as orelhas
Das vezes em que esta criança ouviu:
Pneus cantando;
Absurdos variados;
E conversa nenhuma
Depois.

Sou a única adulta capaz
De riscar na areia dessa arena
Com meu pé esquerdo
Uma linha em que não se ultrapassa
Sem atingir a criança
Que cansou de ter medo

Obedeço à regra
Que agora também vale de lá pra cá

É até aqui.