Uma criança que viu
Um relógio de pulso
Quebrar contra a tomada
Com um soco de fúria
E conviveu com o buraco
pelo tempo que se seguiu
Afago as orelhas
Das vezes em que esta criança ouviu:
Pneus cantando;
Absurdos variados;
E conversa nenhuma
Depois.
Sou a única adulta capaz
De riscar na areia dessa arena
Com meu pé esquerdo
Uma linha em que não se ultrapassa
Sem atingir a criança
Que cansou de ter medo
Obedeço à regra
Que agora também vale
de lá pra cá
É até aqui.