Você pode fazer silêncio o quanto quiser, algumas coisas ainda gritarão. Um conforto de espaço na cama inteira com o lençol limpo gritará, altíssimo, mesmo com um sanduíche de travesseiro com sua cabeça no meio. O cansaço noturno permanente também. Uma fantasia de si mesma que talvez se realizasse no automático. E ainda que o elefante preto da prosperidade esteja cuidadosamente posicionado em relação à porta de entrada, o branco não vai sair da sala. O branco te persegue no banheiro, no quarto, na cozinha. Em silêncio. A menos que sejam manifestadas as coisas que há para serem ditas. Aí me lembro vagamente de alguém dizendo que eu era precoce. Será que me adiantei pra ficar velha? Isso é ansiedade ou a ordem natural das coisas? Será que acomodei com a impressão de que tudo de mais importante já estava feito e conquistado? Será que o meu instinto vinha do desespero? Eu lembro de sentir, duas horas atrás, que tudo estava em paz. Não era essa fluidez que eu pretendia. Queria fluir de uma coisa boa a outra, e não de poça a abismo. De mancha de camisa a meia molhada. De infiltração na parede a chuva de pedra. Ou de conforto a prestação. Faltou pedir que o futuro me reservasse mais certezas. Será que os homens sabem antes? Nascem sabendo ou fingem bem. Mas os melhores não farão nada a respeito. Eles se entreolham e sabem: não dá pra fugir das quatro paredes. Nem quando falta frio em agosto. Mas falta mais que isso. Eu posso fazer silêncio o quanto quiser, e algumas coisas ainda gritarão.
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
domingo, 2 de julho de 2023
Amalgamada
Estive aqui milhares de vezes. Pressinto todas as quinas e corredores e ainda assim, ao não me reconhecer dentro destas paredes, parece terra estrangeira. Matei muitas versões de mim com tanta coragem para ver outras surgirem, mas esta paga as contas e por isso se recusa a ir embora. Volto aqui todo dia para ser praticamente a mesma. Minhas raízes abriram caminho entre as rodinhas dessa cadeira. Minha alma está amalgamada nesse lugar, com o perdão do quase palíndromo das sílabas embaralhadas. De trás pra frente, eu sinto o mesmo. Tem um pouco de mim no cheiro dos armários. Tem um lugar especial guardado entre as frestinhas desses ladrilhos pretos irregulares para pequenas lápides das minhas possibilidades de antes, que agora jazem na horizontal. Não tem meu nome na parede nem uma foto de decana emoldurada com cerimônia. Estou colada no reflexo de tudo que esse espelho já me ouviu pensar antes de respirar e entrar. Sentindo há muito a mesma ojeriza por aquela liga azul que foi perdendo a cor, o cheiro e a forma na tampa colada do lixeiro do banheiro. Pelo tom de cochicho. Pela necessidade de antever as piores possibilidades. Pela passivo-agressividade dos excessos. Pela exigência de gerir e dar retorno. Pelos defeitos e familiaridades. Tenho medo de um dia abaixar o tronco e olhar a moldura desse porta-retrato cafona me dando conta de que tenho a exata mesma cara de todas as pessoas do lugar onde eu nasci, envelhecida pela idade que tenho hoje. Não importa os lugares que tenha conhecido, o que tenha comido, quanto botox tenha feito ou quanto dinheiro tenha ganhado entre uma selfie e outra. Acho que enjoei de reclamar. Preciso mesmo de fôlego. Preciso parar de ser fundamentalmente a que digita, processa e aposenta. Sem ignorar tudo de bom que ser essa persona me trouxe e me traz, mas sem permitir que meu futuro me encontre de pernas cruzadas, tão profundamente burocrata, tecnocrata, competitiva, careta e reativa. Preciso repartir meu tempo com a minha sensibilidade. Preciso sentir mais os momentos que conversam comigo. Curtir a minha música. Descer os altos degraus de mármore para subir ao nível básico do encantamento. Encontrar meus quadros. Abstratos, que sejam. Encontrar a chave que reabrirá a oficina onde estiverem por pintar os meus próprios quadros. Combinar duas peças de roupa de brechó em vez de uma só. Olhar aquele violão e conseguir tocá-lo na lonjura de um braço, não apenas no imaginário, encurtando a distância entre a memória densa do que era mais lírico e o lirismo de agora. Preciso parar de repetir no automático os hábitos que me trazem, cedo ou tarde, ao mesmo lugar. Porque estive aqui milhares de vezes. Nesse momento de esquina em que enxergo dois horizontes refletidos e só um deles tem cores. Estive aqui milhares de vezes, de frente para esta porta onde tudo se abre e.
terça-feira, 16 de maio de 2023
Nêmesis
Sempre fomos uma família muito mais de suco de uva do que de caldo de cana. Deve ser uma fantasia imbecil há muito superada pela industrialização, mas gosto de pensar que essa nossa memória gustativa foi forjada pelos pés de inúmeras italianas gordas com os braços largos de tanto mexer polenta e que vieram antes de nós. As panturrilhas grossas de tanto sapatear à espera de seus maridos. Gosto de imaginar que para cada copo se cozinha muito vagarosamente um punhado de uvas maduras num fogão a lenha pequeno, demasiado familiar, numa panela de ferro grossa herdada de alguma avó, com uma sujeira fervida e entranhada que escorre pelas beiradas e se vê de longe. Gosto de acreditar que depois se espera coar por horas aquele caldo grosso num pano de louça sempre muito duvidoso, tecido em meada puída, mas firme e limpo, e que o produto final desse esquema tradicional, demorado e milenar funciona, afinal, para o meu paladar e para o do povo aqui de casa, com o charme de uma receita herdada. Da qual já conhecemos bem todo o revés e cada etapa do trabalho que exige o método, mas também o doce da fruta de cada época. Talvez por isso ao beber suco de uva nos sintamos tão em casa. Como se o tivéssemos aprendido de pequenos.
Deve ser por isso que não segurei um riso quando o trânsito desacelerou e na mesa de plástico da beira da rodovia essa outra família, quase alienígena, tão diferente de mim e da minha, escorregava sem suspeitar no fraco de suas contradições bacanas. Ou no doce exagerado de suas suposições líquidas. Eram três. E muito sérios. O pai com uma cara jovem e austera, a mãe com jeito de moderna e respeitada. A filha bancando a afrontosa. Mas todos habituados nesta ideia de ordenar à garçonete sempre o mesmo nome desse mau gosto abertamente difundido e peculiar. Fiquei até um pouco triste que ninguém os tenha avisado antes. Ao tempo em que a pequena desgraça deles também era mais uma prova incontestável da nossa supremacia tinta, o que aqui em casa ninguém nega.
Da janela do carro, à distância, eu me dei conta: ninguém escapa do risível de um bigodinho de caldo de cana.
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Capitão Nascimento
Se você chegou até aqui sem que eu compartilhasse o link em lugar nenhum, temos intimidade para que eu seja tão franca quanto posso sobre como estou me sentindo. Espero que você saiba compreender ou se retire. Escrevo porque tenho medo de ser sufocada pelo meu silêncio. E eu vou discutir tudo isso com a minha terapeuta, obrigada por perguntar. Não precisa se preocupar. Já estou me preocupando o suficiente por você e por mim. Eu sei que vai passar. Eu torço que vá passar. Tenho me apegado nisso já há muito tempo. Mas hoje quero falar de desespero. Total e sem precedentes. Eu sei que isso não é normal. Quero falar da paralisia da minha vontade de viver esse tempo em que as verdades são tão duras ao meu redor. Eu sei que isso não é normal. Há muito tempo eu não sonho. Durmo e acordo exausta. Teorizo conspirações. Me absurdo diante de outras. Faço um buraco no peito pra encontrar a humanidade que eu achava tão bonita e só encontro mais medo. Medo de não ter mais para onde correr, agora que as rodovias estão fechadas por lunáticos. Medo de partir pra nunca mais, também. Mas muito mais medo de ficar aqui, rodeada de pessoas que costumavam ser boas e agora são tão hostis. Medo de ser incapaz de consertar o estrago depois de ter me quebrado em mil de tanta tristeza. Estou exagerando? Então por que todo mundo parece louco? Então por que não consigo parar de chorar, agora que era para estar alegre? Não sei. Sei que vou sobreviver. Mas a que custo? Sei que nada é para sempre. Mas talvez a tranquilidade devesse.
sábado, 22 de outubro de 2022
Tempo de podar
Vivo para ser amada. Por mais que eu diga que não, cada relação que estabeleço na vida é um plantio e um cultivo de onde espero colher amor. E respeito. E a vantagem de crescer junto. Da família ao casamento, do trabalho a sorrir para a moça do caixa da cafeteria: quero desesperadamente ser amada por cada um e tenho dificuldade em aceitar o contrário. Talvez a Claudinha da infância busque mesmo companhia pra brincar ou subir em árvore. Ou talvez ela só saiba que merece o amor que é capaz de entregar aos outros. Por isso talvez me custe tanto sobreviver em tempos como estes, nos quais é necessário lembrar que nem todo mundo é feito de temperança, bom humor e civilidade. Nos quais é necessário podar. Amizades, amores, colegas e até família. Para diminuir a sombra, para poder enxergar o sol. Podar. Tirar as folhas secas, os galhos que cresceram na direção extrema e errada, aquela cochonilha branca mofada e infeliz que não se combate nem com água e nem com seca. Estabelecer limites. Permitir que o que é bom tenha espaço para respirar e alcançar a luz. Sem se encolher por trás da sombra do que é mau. Podar. Não arrancar pela raiz, para que morram ou desapareçam na minha vida, mas justamente o contrário: podar para que haja uma mínima chance de que sobrevivam depois, com a saúde das relações que duram porque se respeita o tempo de brotar de novo, vindo de outro lugar que não o que secou ou apodreceu e agora merece ser podado.
Sou cheia de amigos e amores. Mas solo nenhum sobrevive ao excesso de ervas daninhas. Muito menos à ignorância e à estupidez. Tenho podado muito, e queria poder dizer que é quase sem notar. Mas eu noto. Às vezes dói um pouco. Às vezes me sinto culpada. Desculpe, amiga de infância, não quero ser complacente com a sua hostilidade, nem sei fingir que não conheço a sua história. Desculpe, doutor, o cabresto comigo nunca vai funcionar. Desculpe, incompetente, não vai dar pra te ver me chamar de burra e fingir que não vi. Desculpe, fundamentalista, eu cresci e ainda estou pensante. E agora estou te podando, para não adoecer por completo. Que a sua incapacidade de ser vida um dia renasça como adubo. Porque quero ao lado hoje só o que floresce - não para ser medo, mas para ser amor.
quinta-feira, 7 de julho de 2022
Eco [23]
Na primeira vez que me olhei no espelho hoje depois de cortar o cabelo vi um fio branco apontar bem no topo da cabeça. Não foi o primeiro, Laura, mas dessa vez não arranquei. Não fiz mais que um movimento pra comparar a rigidez com os escuros. E deixei ali. Mas quis te contar que estou envelhecendo. Te perguntar se o tempo passando aí tem o mesmo peso e o mesmo cansaço daqui. Você também tá se sentindo no inferno astral? Também tá exausta de ter os mesmos defeitos e os mesmos traumas e de ter que lidar com as mesmas pessoas? Imagino que sim. Também te irrita perceber que amadurecer tem um pouco a ver com aprender a negligenciar algumas coisas em nome de uma parceria sólida pra passar o resto da vida? Embora a nossa geração já não seja mais dessas de pensar no resto da vida. Bom, hoje quando vi o cabelo branco, eu até pensei. Quis te ligar correndo pra contar que não sou mais o mesmo, o que talvez queira dizer que ainda sou exatamente igual. Finalmente abdiquei daquela bobagem de ter inveja da modernidade e agora entendo que caminhamos todos na contramão da vanguarda enquanto vemos avançar o relógio, por isso quem se deixa carregar pela maré tem vantagem. E que eu, que já estou mais velho do que nunca antes mesmo de fazer aniversário, sinto no claro desse cabelo que é um pouco tarde. Que estou velho para uma porção de coisas. Que as ressacas têm durado três dias. Que hoje mesmo ouvi um idoso fazer planos para o próprio funeral. Que um dia meus pais também precisarão de cuidado. Aí quis te perguntar como é que vai a vida. Ou o que significavam aqueles fones de ouvido que você usava no meio do mar no meu pesadelo da semana passada. Mas foi contigo que aprendi a não dar o braço a torcer para que não me torçam o dobro. A me apaixonar por mim. A te deixar pra lá. E a envelhecer, com charme e o cabelo cortado, sem essa coisa imatura e adolescente de querer sempre um pouco mais do que o que eu tenho e me é dado.
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Big deal
Quanto mais próximo se tornou o dia de me casar (e digo casar sem ter casado, sem me preocupar que as pessoas confundam as coisas ao me ver usando um véu no bar fazendo a despedida de solteira sem que eu vá, de fato, usar um véu e comparecer a um altar em poucos dias, de propósito sem que eu explique muito a elas, como quem não fecha a porta para a possibilidade de querer me casar de fato um dia mas ao mesmo tempo sem que eu sinta que um sacramento a qualquer tempo pesaria mais do que a minha própria decisão), por alguns momentos aquilo se tornou pra mim um big deal. Uma ocasião de ajuste fino do ponteiro dos segundos da minha vida amorosa. Uma consciência muito nítida da escolha que eu tinha feito, com todas as imensas alegrias, desafios e tédio que eu já sabia desde sempre que ela poderia me causar.
Nunca tinha morado com alguém e por muitíssimas vezes pensei que nunca fosse morar com alguém, até que sim. Então, vendo se aproximar a grandeza daquela mudança drástica de rumo no cotidiano, gradualmente eu mudei o vocabulário para começar a dizer que meu namorado agora seria meu marido — primeiro brincando, depois a sério como quem estava brincando, depois finalmente me dando conta de que meu dito marido não estava fazendo o mesmo comigo. Talvez porque esposa é uma palavra muito mais feia do que marido. Talvez porque uma vez ele me chamou de "minha mulher" antes de cogitarmos morar juntos e eu ralhei por conta do pronome possessivo dizendo qualquer coisa como "eu não sou de ninguém não". Talvez por ele enxergar uma união estável ainda de um jeito diferente de um casamento, para o bem ou para o mal. Talvez porque ele concorde comigo que uma decisão pesa mais do que um sacramento ou uma nomenclatura. Talvez por uma influência decisiva, embora longínqua, de alguém que seja capaz de rir em público, em caixa alta e quase diretamente de uma foto com nossas escovas de dentes juntas apontadas para a câmera no dia da mudança (ai de nós, cometendo o crime hediondo de sermos monogâmicos, piegas e felizes assim). Ou talvez porque o tédio e as agruras podem vir de qualquer jeito e ainda antes quando se dá nome aos bois — e, se for mesmo isso, eu acho que ele pode ter razão mas não vou concordar já porque ainda estou me situando na sutil arte de ter (ou será que ainda não?) um marido, sendo de bom tom que permaneça otimista.
Fato é que, quando finalmente me casei (ou não, "mas é como se fosse"), passada uma semana, meu proclamado marido viajou por dez dias para a Europa. Sem mim. Coisa engraçada de acontecer. Por isso, que conste nos anais do nosso casamento: sim, ele fez uma lua de mel sem mim. De modo que amanhã, quinta-feira, é o único dia da semana em que é permitido descer o lixo reciclável nesse prédio e, pela segunda das três vezes em que o meu apartamento de meio-que-casada teve o lixo descido licitamente, eu vou fazer isso sozinha. Acho que descer o lixo do próprio apartamento é o exato oposto de uma lua de mel. E todas as tarefas domésticas, que foram pouquíssimas, foram inteiramente minhas nesses dez dias. Mas não é disso que se trata, embora também seja. Não falo só de lavar a roupa e a louça, fazer faxina e tirar o lixo, mas da vida doméstica inteira. Comer de determinado lado da bancada, dormir só com a ponta do cobertor de casal dobrada sobre mim em vez de deitar embaixo dele, escolher sozinha o lugar onde será guardada aquela travessa nova, aguar as plantas, abrir as portas e janelas para o sol entrar e o cheiro de gás sair. Tudo eu. Eu comigo.
Morar e estar sozinha na casa comum nestes dias me deu outra perspectiva. Se é verdade que o problema da vida conjugal é aprender a dominar o tédio, como nos ensinou Gabo, também é verdade que o tédio precisa ser dominado em qualquer circunstância e, se penso nisso, lembro que o convívio da gente com a gente mesmo pode ser a coisa mais difícil e tediosa de que se tem notícia. Por tantas vezes quis aprender a ser sozinha antes de mais nada que, agora, é como se houvesse sido forçada a estar sozinha um pouquinho mais, que é pra ver se aprendo de uma vez por todas que não controlo o fluxo da vida.
Estar sozinha num apartamento pensado por e para dois é dominar, mesmo sem querer, a solitude de um estado contemplativo e meio decepcionante para quem se dispôs à vida conjugal. Nestes dias a voz dos meus demônios internos ecoou solo pela casa, nos poucos momentos em que estive em casa, somada ao cochicho de um tanto considerável de saudade não só da condição autoproclamada de esposa, mas mais especialmente do que esses dias poderiam ter sido, não fosse a lua de mel inusitada do meu pretenso marido.
Enquanto minhas amigas confessavam que surtariam bem antes de mim, eu esperei pacientemente para comprar a máquina de lavar, os quadros, as almofadas e o capacho da porta. Fui sentir só ontem, violentamente, a falta que o cumprimento do plano para o qual eu me preparei por meses podia fazer no meu juízo. Nos primeiros oito dias, meu cérebro negou a distância e a relevância desse intervalo com a naturalidade que eu esperaria receber se tivesse uma viagem sonhada e adiada há anos que aconteceu — vejo aqui a ironia com que sou tratada pelo roteiro do destino — imediatamente depois da nossa primeira semana morando juntos.
Preenchi o tempo com muitas compras e ganhei também presentes de amigos: o porta-detergente, o jogo americano, a jarra, a tábua de vidro. Detalhes pensados de véspera, com certa obsessão, para de alguma forma antecipar um cotidiano que por enquanto apenas se anuncia.
Mas quanto mais próximo se tornou o dia de (vamos chamar assim de propósito) "voltar a me casar", eu fui ficando apreensiva, nervosa e inquieta, num misto de ansiedade e certeza da impossibilidade de adiar mais tudo aquilo que eu sinto que era mesmo pra ter sido. Sem nunca ter me casado, amanhã volto a me casar. Eu e meus hormônios decidimos fazer disso outro big deal, seguido do primeiro. Embora eu não saiba o tempo que vou levar para voltar a tirar o pé do chão. Talvez por isso a apreensão. Desejo muito que seja, finalmente, doce. Que seja anti-monótono e imprevisível, mesmo quando em detrimento dos meus planos, amém. E sobretudo que eu não perca a capacidade de achar que a vida a dois pode sempre ser grande coisa.
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