segunda-feira, 22 de março de 2010

Karl Marx - O Capital

O texto que segue foi elaborado para servir de base a um colóquio solicitado pelo meu professor de Filosofia Geral e Jurídica. Em uma lista de mais de 40 filósofos, minha escolha foi Karl Marx. A escolha não foi motivada pela identificação com o autor, antes pelo contrário, ou ainda pela minha total ignorância anterior a este estudo. Eu sabia apenas o que ouvia dizer, e agora, mesmo jamais podendo afirmar que CONHEÇO Marx, em tese não sou completamente cega à sua vida e obra. A seguir, estão um resumo do contexto histórico e de sua vida. Também consta o que me chamou atenção na obra escolhida.
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Por volta de 1750, a Revolução Industrial traz, além da troca de ferramentas por máquinas, progresso tecnológico e industrialização dos processos manufatureiros, a consolidação do Sistema Capitalista (incluindo-se aí todos os seus prós e contras). É com o capitalismo que as relações de trabalho da época se modificam e acentua-se duas classes principais: empresários e operários. Os empresários, proprietários das indústrias, tem por objetivo o lucro, sem importar-se com a exigência de exploração de seus operários. Os operários, por sua vez, começam a se organizar através dos sindicatos.
Só após a Revolução Industrial que as ideologias sociais/econômicas divergem drasticamente. Uma das metades defende a expansão do capitalismo, enquanto a outra critica as injustiças sociais. Esta segunda, vindo a ser chamada posteriormente de socialismo.
É do berço socialista que "nasce" (no sentido histórico) um dos objetos principais deste estudo: Karl Marx. Para compreender sua obra O Capital (Das Kapital, na língua original) é importante salientar algumas características de sua biografia, análise realizada a seguir.
Marx nasce em 1818, com origem judia, porém não convive com esta tradição uma vez que, para exercer o serviço público, seu pai se converte ao cristianismo quando o filho possui apenas seis anos. O estudo de Marx inicia na própria cidade natal, Tréveris, atual Alemanha. Após iniciar o curso de Direito, transfere-se para outra universidade. Entre 1830 e 1840, opta por deixar o Direito e ingressar na Filosofia, onde forma-se doutor com a tese sobre as diferenças da filosofia da natureza de Demócrito e de Epicuro. Há em toda sua vida e obra, uma influência de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que foi seu contemporâneo.
Conhece Friedrich Engels, por volta de 1842, e este futuramente irá tornar-se seu amigo íntimo e parceiro em publicações. Casa-se com Jenny von Westphalen, com quem teve cinco filhos. A vida social de Marx é conturbada - uma vez que seu envolvimento social e suas publicações têm ampla repercussão, e vão contra uma série de ideais tidos como certos. É, assim, expulso de algumas nações, bem como se retira de outras por conta própria.
Em sua lista de publicações, há uma série de assuntos, quase todos ligados à sociedade. O marco principal de seus escritos é O Capital, obra constituída de três partes/capítulos tratando das características e principalmente das falhas do Sistema Capitalista.
A obra original é composta de mais de duas mil páginas, e é fato que isto dificulta sua popularidade, bem como ocasiona uma série de visões hipotéticas baseadas apenas no que se ouve falar sobre Marx e seus conceitos. Aí está um dos principais motivos da minha escolha por essa obra, tentar compreender a crítica de Marx à sociedade de sua época com base em leitura de seus escritos, e não apenas no que se escuta sobre Sistema Socialista e marxismo.

As palavras contidas daqui em diante certamente ultrapassam meu conceito primário e anterior à leitura de "O Capital - Karl Marx" resumido por Julian Borchardt. Este conteúdo não tem a pretensão de ser completo e abrangente, e sim de destacar os pontos que me surpreenderam ou me fizeram refletir - por isto mesmo, foram considerados importantes.
O Capital resumido por Julian Borchardt inicia, em seu prefácio, afirmando que "para o leigo ele é absolutamente impossível de ser lido". Como leiga que sou, eventuais interpretações equivocadas podem ter acontecido, peço então que o leitor mais esclarecido que eu as desconsidere. Esta obra, ainda que resumida, é densa e em momento algum me sugeriu que estivesse sendo escrita para que alguém que tenha os conhecimentos sumários que eu tenho compreendesse. Contudo, isso foi por mim enxergado como desafio, como vocês podem bem perceber nas reflexões seguintes.

Marx não publicou os três volumes desta obra, sendo que os dois últimos foram publicados por Engels a partir de anotações do autor, cabendo a quem a resumiu eliminar as repetições e organizar as ideias de modo a facilitar a compreensão.
Na parte inicial, apresentam-se conceitos de Economia na visão do autor, como "Mercadoria, preço e lucro"; "Lucro e venda"; "Capital constante e capital variável"; e um conceito inicial da tão comentada "Mais Valia". É importante salientar que esta parte inicial a que me refiro é a da obra resumida, sendo que na obra original, segundo Julian Borchardt, estes conceitos se misturavam aos sucedentes, tornando a compreensão mais difícil.
Um dos pontos importantes de todos os 27 capítulos do livro, (a meu ver) é o ponto onde o autor destaca as condições dos modos de produção que fizeram o capitalismo se consolidar. Ou, mais fielmente ao título original, "A revolução operada pelo capital no modo de produção". Segundo Marx, as condições eram a Cooperação, que se dá pelo "emprego simultâneo de numerosos assalariados no mesmo processo de trabalho", de modo que, em grossos termos, significa que ou se tem lucro deste modo, ou se economiza em força de trabalho. Uma segunda característica seria a Divisão do trabalho e manufatura, sendo que um operário que trabalha "em partes" não tem uma mercadoria pronta, apenas um estágio dela, por isso a valorização de seu trabalho é menor. É neste item que a crítica de Marx ao capitalismo se intensifica, e ele sugere como alternativa que "um controle corporativo limitaria os trabalhadores a exercerem seu ofício de forma integral". Por último o subtítulo As máquinas e a grande indústria vem, resumidamente, para afirmar um conceito de que as máquinas não surgem para facilitar a vida do homem, e sim para otimizar a produção e diminuir o preço de custo. As máquinas tornam-se um meio de baratear a mão de obra.
Em seguida, "Os efeitos desses progressos" é um capítulo dedicado a determinado conteúdo crítico muito pertinente até os dias de hoje, porém extremamente ligado à sua fatia de tempo, nas condições por ele observadas da sociedade.
Ocasiona-se, segundo Marx, o "Trabalho de mulheres e crianças". Uma vez que as máquinas não exigiam força física, propiciaram trabalho de todos os integrantes de uma família, transformando o que antes era a mais-valia apenas dos pais de família, agora também uma mais-valia multiplicada pelas mulheres e suas crianças.
Também o "Prolongamento da jornada de trabalho". Explica-se porque: Já que uma máquina agregaria o mesmo valor ao produto trabalhando mais horas em menos tempo do que menor jornada em longo prazo, é "vantagem" para o capitalista obter este lucro imediato. Aumentar o número de operários em vez de prolongar a jornada de trabalho não seria válido pois haveria maior investimento de capital constante (como os meios de produção).
Como terceiro efeito cita-se a "Intensidade da jornada de trabalho", item no qual consta um importante dado: A monotonia do trabalho, que apesar de intenso era em sua maior parte realizado pela máquina do que pelo homem, foi causadora de diversos acidentes. Além do trabalho, principalmente na limpeza das máquinas, que era realizada rapidamente por não ser remunerada.

Outro trecho que julguei interessante foi a "Acumulação Primitiva" onde Marx faz analogia ao Pecado Original. Segue trecho do livro: "A lenda do pecado original nos conta, é verdade, que o homem foi condenado a comer seu pão com o suor do seu rosto; mas a história do pecado original econômico nos ensina que alguns escaparam dessa pena. Mas pouco importa. Sempre terá sido que os primeiros acumularam as riquezas enquanto os outros, finalmente, para vender só tinham a própria pele."

Ao longo do livro temos ainda um conceito de salário, o que forma o salário de um operário... Os métodos por peça e por hora. Está contida uma explicação de porque se dá a crise, sendo essa para Marx uma desarmonia da produção e circulação, uma segunda explicação poderia ser a do período entre a venda e o pagamento, bem como "a pobreza e o limite imposto ao consumo das massas, contrariamente à tendência que conduz, de outra parte, a produção capitalista a desenvolver as forças produtivas como se o limite destas residisse no poder absoluto de consumo das sociedades".

Outro conceito apresentado é o de Crédito e Banco, que seria a forma de sanar os eventuais problemas no espaço de tempo entre a compra, o pagamento, ou as vendas do capitalista. Uma mudança de comportamento destes dois fatores - Crédito e Banco - poderia favorecer o desenvolvimento do socialismo.

Em seu último capítulo "A renda da terra", o autor faz, dentre outras análises, uma comparação entre as vantagens e desvantagens das pequenas propriedades versus as grandes propriedades.
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No limite do que me é permitido, (risquemos isso, sei que a crítica de uma leiga não é permitida, mas a faço mesmo assim) acredito haverem pontos muito positivos na obra, mas ao mesmo tempo utópicos demais, extremos demais.
Contudo, sou acometida por um respeito por Karl Marx que não nutria tão fortemente antes deste estudo! Ou seja: Já valeu o empenho!
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Por fim... Sugestões de leitura/Referências

O Capital - Karl Marx (resumido por Julian Borchardt)

Um comentário:

Nivaldo Machado disse...

Um texto ousado.... nem sempre preciso... mas, repleto da mais fina arrogância que tanto encanta ao sábio!


Parabéns pelo texto