domingo, 27 de janeiro de 2013

O dia em que eu voltei a acreditar em Deus

São quarenta e nove minutos de domingo, 27 de janeiro de 2013. Encaro minha própria foto na área de trabalho, um pouco maquiada e sorridente, enquanto o computador termina de carregar. A foto é do último dia do ano do passado e, nela, está entardecendo, mas ainda não é tarde demais. Hoje é um dia praticamente normal.
Meu nariz está congestionado e passou o dia assim. Estou chorando um pouco, porque é isso que eu faço ao menor sinal de desespero, ou quando as coisas fogem do meu controle de modo geral. Essa semana aconteceram algumas coisas fora do rotineiro na minha vida, e nem os meus melhores amigos - minha mãe, o Luis, a Carol, a Natascha e alguns outros, que sabem muito ao meu respeito - foram capazes de tirar de mim essa coisa assustadora que estou sentindo, embora eles tenham se esforçado. Talvez eu não tenha sabido me explicar. Talvez não haja nada de tão grave (e de fato não há) acontecendo comigo com o que eles possam se preocupar.
Não sei porque estou contando essas coisas. Pra ser honesta, sei o quanto seria mais prudente começar essa conversa agradecendo ou me desculpando, do que fazendo essa ladainha com meias palavras. Não quero parecer petulante, aliás, não tenho motivos pra isso. Eu poderia dizer que o meu coração é puro, por isso minha vida dispensa comentários introdutórios, mas às vezes algumas atitudes que eu tomo me fazem crer no contrário, então vou me consolar com o fato de que tu me conheces por dentro e por fora como ninguém, como me ensinaram na catequese que eu frequentei.
Nunca fui uma pessoa de fato muito religiosa. Você deve ter percebido, se leu alguns dos meus outros textos, e eu sei que eles foram lidos por você antes mesmo de serem externalizados em palavras. Só você sabe o quanto eu não sou religiosa, então. Você e meia torcida do flamengo (espera aí, eu já retomo o papo sério, não pude evitar a piadinha!). Mas você também sabe que o que nós temos um com o outro nunca teve a ver com a religião, ou ao menos é assim que eu sinto as coisas. Sinto também que não serei repreendida, e que não há certezas sobre isso. Talvez a religião seja a coisa certa para algumas pessoas, talvez seja um meio pra chegar lá,  não sei.
O que eu sei é que hoje eu deitei na cama muito perturbada com tudo que vem me acontecendo e me senti pequena. Pequena demais para ler até pegar no sono, com uma impressão sincera de que ler não adiantaria nada. Pequena demais pra conversar com qualquer um sobre isso. Menos contigo. Eu senti tanta vontade de  estar com alguém que me entendesse sem eu precisar fazer grandes explicações sobre a minha vida. Sem precisar falar muito das minhas feridas, eu deitei na cama esperando que - como que por milagre - alguém conhecesse todos os meus medos. O meu medo de não ser boa o suficiente. O meu medo de decepcionar meus pais e os outros que eu amo. O meu medo de estar fazendo a coisa errada em muitas ocasiões. O meu medo de não dar certo na carreira que escolhi. O meu medo de morrer de doença. O meu medo de ser mãe. O meu medo de não mudar a humanidade pra melhor com os meus atos. O meu medo de não ter fé.
Principalmente o meu medo de não ter fé. E não é um medo de queimar no fogo do inferno, aliás, meu medo de não ter fé sempre passou muito longe disso. Eu tive muito medo de não ter fé que as coisas vão melhorar, de não ter fé que tudo acontece como deve ser, de não ter fé o suficiente pros problemas que vão precisar de mais que um pouco de silêncio pra se resolverem.
Mas um dia a insônia chegaria de uma forma tão diferente que eu deixaria de ignorar o fato de que preciso, às vezes, de alguém a quem me socorrer quando a angústia não passa ouvindo música, conversando com a minha mãe ou comendo chocolate. E esse dia chegou. Pode parecer fraqueza, mas de uma maneira muito estranha, eu não me importo mais com o que isso parece, só preciso de você, onipresente, onipotente e, como em todas as outras vezes, intercedendo pela minha paz de espírito. Segurando as pontas, a todo tempo, inclusive quando essas pontas são afiadas e me ferem.
Eu acredito que você sabe melhor do que eu a surpresa que esses pensamentos me causam. Mas pela primeira vez em muitos anos, depois de muitas perdas e conquistas, depois de muitas conversas nas quais eu não falei assim, na primeira pessoa, sinto que preciso admitir tua grandiosidade. Não vou virar carola e ir à missa todos os domingos, nós sabemos. Nem sei se vou voltar à igreja, para ser franca como você merece que eu seja. Mas quero que essas conversas voltem a ser frequentes. Frequentes porque me fazem bem, como essa de agora. Frequentes porque o jeito que eu acredito em você não me exige uma conduta cheia de "ele" com letra maiúscula. O jeito que eu acredito em você só exige que eu seja sincera e honesta - e que eu dê o melhor de mim, sempre. Como estou fazendo agora.
Eu agradeço a paciência dispensada. E peço que se mantenha ao meu lado, aguentando as barras que vierem e se alegrando com as minhas pequenas felicidades. Nem vou usar letras garrafais, mas vou contar porque nem todos sabem de tudo como você, tá? 
Pois bem. Meu nome é Claudia (isso todo mundo sabe!). E sem mistério ou causa específica (e ao mesmo tempo muito misteriosa e especificamente), hoje eu voltei a acreditar em Deus.

2 comentários:

Carolina disse...

Pra ser sincera, não consigo imaginar que as pessoas não acreditam. Sei lá...

Só acho que no fundo, bem lá no fundinho, há algo que as fazem acreditar no futuro bom, ter esperança na vida e fazer o seu melhor. Como viver sem ter esse algo para acreditar? Que seja Deus, que seja uma Força Maior, Energia, Luz... E que seja assim, meio torto mesmo, para mim não importa.

Mas se eu não tivesse algo em que acreditar, não sei se conseguiria dar mais um passo nessa vida cheia de longos caminhos.

É tranquilizador 'saber' que existe algo ou alguém lá em cima que entende. Não importa o quê. Mas entende.

Daila disse...

Ele sempre estará presente por você. Eu também.