quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma mentira inteira

"[...]
- E eu, como você acha que eu fiquei? 
- Foda-se você, você escreveu aquelas coisas porque quis. Eu não, eu não tive opção. E tive todas as minhas fragilidades, os meus segredos, as minhas fantasias publicadas e colocadas à venda, criticadas por coleguinhas. Descritas porcamente, inclusive, e levianamente, com floreios de linguagem. Você me tornou uma vadia pública, uma vadia insana. Não vou nunca te perdoar, nunca. Minha vida se tornou uma meia-mentira por causa de você.
- "Uma meia-mentira?"
- Uma mentira completa, você prefere?
- Não, não prefiro nada. Não tenho nada com isso, se você vive uma mentira.
[...]"

FERNANDA YOUNG, in: Aritmética. Ediouro, 2004, p.49.

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