quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Foste o sonho de alguns imigrantes que em teu solo quiseram viver...¹

Trombudo Central, 08/12/2010.

O calendário da Comarca anuncia: Hoje é o Dia da Justiça. Tão apropriado para escrever essas palavras-metáforas, disfarçadas de bairrismo. Aí no cabeçalho, pouco menos de meia linha bem escrita, lê-se data e nome de cidade. Sempre achei Trombudo Central um nome curioso. Diria até meio feio. Nunca soube ao certo que raio de analogia com curvas e rios era essa. Sempre deixei estar, contudo. Um dia chegaria o dia de encará-lo com olhos frios. É hoje.
Sei bem das suas dimensões e são mesmo essas, pequenas. Cresci achando ou enfim sabendo que me render aos encantos de um município como T.C. seria assinar meu atestado de burrice. Menina tonta, bitolada e - com efeito! - provinciana. "Onde é que já se viu perder tempo gostando dessa cidadezinha tão pequena, tão sem lugar para realizar os teus sonhos!?" Era isso que cada estradinha de interior, festa de igreja e fofoca de comadre sempre pareceram me avisar. Ou, talvez, que o meu contentamento sempre esteve mais próximo do fim do que do começo.
Então, como já era de se esperar, hoje eu quero o mundo e não Trombudo Central. O que é estranho, porque foi depois de "nascer" no município que eu quis o mundo. Relação torta de causalidade: Sem ele, o mundo não seria mundo para mim, ao menos não assim, como é agora. E agora, não o enxergo muito importante em meus planos. Deve ser culpa do eterno anonimato que Trombudo Central carregou consigo. Ele nunca seria capaz de acolher meus desejos por inteiro, quaisquer que fossem seus tamanhos. Tanto menos se fossem enormes como são.
E eu, experiente de apenas uma mudança de cidade e tímidas viagens comparadas às que estão pela frente, mesmo sem me orgulhar muito sinceramente de minha naturalidade, não deixo de me sorrir cheia de dentes com alguns acontecimentos que só um município como T.C. seria capaz de me proporcionar.
Entretanto, como hoje é oito de dezembro e Dia da Justiça, nem tudo são flores, rios com curvas e pedra ardósia. Justiça seja feita! Confessarei logo que em Trombudo Central o mundo se repete de uma forma previsivelmente tola, visto o reduzido número de possibilidades. Não sei o que sentir pelos tantos C's que, percebo, nascem ingênuos e tomam formas no solo desta terra que (sim!) é superficial e aparentemente infértil. Para tempos depois crescer, e perceber (ou não!) que o horizonte vai bem além das riquezas da Bracatinga, da diversão no Centro e na Cidade Alta, das delícias do Kindel ou do que é pior... A tosca prosperidade/beleza/encanto que, mediocremente, só trombudenses como eu é que fingem - a si - enxergar na Vila Nova.


¹Primeiros versos do hino de Trombudo Central.

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