quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mirando no impossível

Escolhi minha profissão quando frequentava uma aula chata de geografia em que a professora repetia coisas decoradas que não me apetecia ouvir. Estava feito. Naquele instante eu reconhecia uma vocação emanada de dentro. Quis ser vendedora de eloquência e demolidora de argumentos. Quis transtornar alguém despreparado erguendo a sobrancelha esquerda com ar de reprovação. Quis defender muito uma crença, um ideal, uma prerrogativa legal. Quis dedicar tempo e vísceras no convencimento da parte contrária. Quis persuadir na 'absolutez' do certo e do incerto. Quis não medir esforços para conseguir as coisas.
As causas ganhas nunca me atraíram. Os casos fáceis, entendo, não me enobrecem. O que me agita os nervos, me faz vibrar, me impõe limites funciona mais ou menos como uma força motriz de toda intenção. Digam os desavisados que isso é prepotência, digam os homens de sucesso que "no que diz respeito ao desempenho, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou faz bem feito ou não faz”¹ ... O que eu digo é que me dedicar e insistir tem rendido frutos: no amor, nos estudos, na vida e na escolha do Direito enquanto forma de encarar qualquer situação. Persistência, convicção, empáfia? Não sei definir. Só não desisto de algo sem de fato esgotar TODAS as possibilidades. Tem funcionado...

¹(AYRTON SENNA, 1990)

Um comentário:

Ivy S2 Ivy disse...

adorei...
muito lindo
me identifiquei totalmente