quinta-feira, 17 de junho de 2010

O quanto antes

Então, lá pelas tantas, grita-se pra ficar acertado que eu ouça e que eu cumpra:

"Querida Claudia, você não tem mais cinco anos de idade e não está no primário. Ser razoavelmente correta, inteligente ou boa (mas boa só se você preferir ser simplista nisto, inclusive...) nestas dimensões, é sinônimo de ser péssima quase que em totalidade. Ser precoce não é mais suficiente pra que achem graça em você. Ou, talvez, pra que alguns achem graça, até chegue. Entretanto, pra mim isso não basta. Pra você isso não deveria bastar. Vá pros infernos com a sua criatividade, pro raio que o parta com a sua articulação. E não torce o nariz pra mim, não. Nem me sorri assim, tão falsa, nem me ignora, que se eu tô gritando é porque falei baixo e você fingiu que não ouviu... Que se eu tô falando isso agora, é pra você se decepcionar o quanto antes... Pra essa decepção passar e você ficar mais forte, mais madura, mais gente grande. O quanto antes. Leia muito. Aprenda muito. Queira muito. Abdique muito. Valorize muito. Cresça muito. Mude muito. Você pode muito. E pode mais. Aliás, pode mais em infinitos sentidos. Não é só isso que você quer pra você, garota. Nem pra mim, que sou tão sua. Seja mais. Por nós. Mas principalmente por você. Não é tarde pra fazer de mim bem melhor..."

Penso na desnecessidade de revidar quando a interlocutora é a vida.
Aceno a cabeça em uma confirmação gigantescamente pesarosa. Porque essa é a forma mais doída de admissão que eu conheço. E porque é só o que me cabe...
Choro.
Choro uns bons pares de lágrimas ao tentar reavaliar todas as coisas sentindo a companhia, tão somente, de quem grita e do vento lá de fora.
Escrevo.
Escrevo pra lembrar de desejar que tudo o que vier para bem, (e isso inclui alguns males) venha o quanto antes... E pra lembrar, amanhã e muito depois, de que o aceno e as lágrimas foram, ambos, derradeiramente meus...

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