sexta-feira, 28 de maio de 2010

Quase

- Alô.
- Oi. Tá acordado ainda? Que bom te ouvir... Lembra daquele dia que eu menti pra você? Não, é claro que você não lembra. Mas, que seja. Eu lembro e disse aquilo antes de muita coisa. Não leia as besteiras que eu escrevo. Não fique pensando. Tenho vergonha de ser tão invadida, ainda mais por alguém que me lê tão bem! Pare. Tudo é literatura. Literatura, penso, é quase vida real. Eu até gosto de literatura que é quase vida, mas tudo cheira a quase. Então, não leia. Tudo tem gosto de espera eterna. Então, não leia. Tudo tem textura de felizes para nunca. E isso me dói. Eu não sou a descolada que pareço ser. Minhas manhãs são todas tuas ultimamente. Desde a madrugada, que é quando você teima em aparecer no sono. E isso me dói outra vez. Eu só liguei pra dizer que essa ligação é uma vírgula. Que não dou mais conta de ser quem eu sou do seu lado ou longe. Que quero te dizer mas não digo, que quero te tocar e não toco, que quero te beijar e não beijo. Que quero até te ligar, mas não ligo...
- Desculpa, foi engano.
- Mas, menina, também lembra que, apesar de, eu ainda te sinto tanto. Sinto tanto quanto essa distância dói às vezes, tanto quanto essas lacunas e esses sustos no meio da madrugada deixam um certo silêncio por aqui, tanto quanto esse adeus deixa um gosto amargo na boca. Talvez exatamente tanto quanto o adeus. É quando te sinto mais.

Um comentário:

SweeetJane disse...

eii muito criativo seu blog, adorei!!!

;D