domingo, 9 de maio de 2010

Para Dona Ervilha, com afeto

Me amanheceu preguiçoso o dia de hoje. Rolei na cama até ser capaz de ver o sol pela fresta entre a cortina e a janela. Ouvi a homenageada do dia entrar no meu quarto e entendi a dica - custei a sair do emaranhado de cobertas, é verdade, porque parecia fazer muito frio fora da minha cama, mas... - ali pelas 10h chamei Dona Cátia para dar-lhe um beijo, um feliz dia das mães e para entregar o presente... Porque ela merecia, entre tantas provas de amor, que eu passasse um friozinho do outono de maio para agradecê-la por ser minha, e para parabenizá-la por ser a melhor mãe de todas. As avós também mereciam o "esforço" de abandonar as cobertas. E era isso o que eu faria: Passaria o dia cercada da maioria das "mulheres da minha vida". Por mais que fosse sensato aproveitar a oportunidade e escrever muitas coisas para as maravilhosas mães que me rodeiam - afinal elas não fogem à regra, não medem esforços pelos filhos, estão sempre lá, prontas pra um abraço protetor e um desejo de bênçãos (com dois acentos, Aurélio que disse) ...e este ainda seja apenas um ensaio do que realmente sinto para lhes dizer, - hoje eu me ateria a notar outras coisas que não a complexa maternidade. Eu notaria o sol batendo no rosto, o ventinho gelado da varanda, as fotografias, o gosto de uma das avós em fazer receitas exóticas, o gosto da outra por amores de quarenta e tantos anos...
Me ateria também, muito, à falta da Dona Ervilha. E pensaria no quanto desejava que ela estivesse presente comendo a receita nova de macarrão da Vó Cecília, misturada à maluquice que a casa dos maranguapes sempre era. Ouvindo as minhas milhões de novidades do Direito, do coração e da vida. Dona Ervilha é uma daquelas pessoas que não precisa ser mãe e ter uma data só para ela para receber felicitações minhas. Eu a admiro, bom que fique dito, e por admirar gostaria que ela estivesse sempre por perto nos almoços de família dessa vida. Por mim, e por ela. Mas hoje a Dona Ervilha estava no sul do mundo... Era, portanto, ausência garantida no almoço, fato que eu lamentava também por saber que só ela me compreenderia infinitamente e me diria coisas que ninguém disse no dia de hoje. Sabia, ainda, que a saudade que já sentíamos dela, todos, era uma via de mão dupla. A Dona Ervilha é dessas pessoas bonitas que são sensíveis e fortes, que fazem piadas engraçadas e inteligentes (como a da foto no clipe, na prova) e que notam a importância da família na vida da gente. Ela saberia dizer coisas mais bonitas sobre o dia de hoje do que eu. Saberia fotografar a aranha que encontrei no jardim melhor que eu. Saberia, muito provavelmente, lidar melhor do que eu com a ausência. E é por isso que estar longe dela, fisicamente, hoje, me doía. Vão tímidas algumas fotos, para ela e pra vocês:

A homenageada do meu preguiçoso dia das mães.
Por quem vale levantar em dia frio.
De onde vim, de quem nunca quero me perder...
Parabéns, Dona Cátia!

Três gerações de Marangoni...

... e três de Geremias.

A aranha do jardim.


... vermelho e simpático, me acompanha.
(Um presente da Dona Ervilha.)

2 comentários:

ditavonclaire disse...

mais que coisa mais linda, hein?
só não vou escrever mais porque a foto da direita, a do lenço de bolas brancas, me ofusca as vistas. palavra.

Dona ervilha disse...

A única coisa que sei fazer agora é secar as lágrimas. E me esforçar para ser merecedora destas tuas palavras, que de tão bonitas, ganham muitos outros significados. Eu gosto muito de ti, sempre como quando eu te cuidava bebê, e nunca vou estar longe, não importa o lugar por onde eu estiver. Ainda te devolvo este carinho, mas preciso, bem de verdade, recuperar o fôlego antes. Beijo.