quinta-feira, 20 de maio de 2010

Inoportuna

Ria cheia de gosto, fazendo o almoço de hoje. Entre as tantas inspirações para tal, lembraria da minha professora de espanhol da sexta série. A Goya! Resumo assim, para efeitos imaginatícios: Da minha altura (e naquela época eu era um tantinho mais baixa), de cabelo curto e bem próximo do vermelho. Novinha ela casou com um argentino podre de rico e morou por lá uma porção de anos, até onde eu me lembro da história que ela não se cansava de nos contar. Quarentona, divorciada, voltou falida e traída mas parecia feliz. Feliz e caduca. Caduca, espavitada, e professora de espanhol. Não sabia nada de gramática, mas o sorriso era largo. Cheio de dentes. (Deve ser a minha sina cruzar com pessoas cheias de dentes!) Que seja, pois. Ela ensinava a gente, ou tentava, com canções... Era um jeito de nos manter interessados, imagino, já que éramos todos muito pirralhos e inquietos - e já que levar ela a sério nas condições que ela proporcionava não era possível. Em quatro bimestres, fomos de La cucaracha a algumas letras da Shakira - ...e olha que isso representava uma evolução! - sem contar nas traduções de "El" Zezé di Camargo y "el" Luciano, todas muy apaixonadas e fora de ritmo. Contudo, em parte, me fez aprender, a espavitada. Me fez tomar gosto pelas canciones en español. E olha que ela nem imagina.
Hoje eu faria almoço cantando num espanhol muito mais exagerado do que exato, contente com a vida. Pensaria infinitas coisas, acerca de poucas letras. Mas ainda teria disposição pra supor uns tantos paradeiros que a Goya pudesse ter levado... Quanta coisa deve ter mudado na vida dela de lá pra cá, quanta coisa mudou na minha. Quantas mesmas músicas ela não repetiu ao longo dos anos...
E quantas letras novas a vida me faria conhecer, depois da sexta série, sem que eu imaginasse...

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