segunda-feira, 17 de maio de 2010

As contradições...

...sempre tão imprevisíveis, começaram no cartório da cidade. É dada a largada! Eu era Claudia, Clau-di-a, proparoxítona, desacentuada. Depois dessa, sobre essa, se acomodavam uma série de outras... Nenhuma, obviamente, me acompanharia por tanto tempo, ou até acompanharia, de qualquer modo são importantes...
O primeiro lido aos 4, precoce. Outros tantos no resto dos dias, o último na semana passada. Um beijado aos 12, quando ninguém podia imaginar, outro aos 14, com uma história diferente, o terceiro ou um quarto, possivelmente, aos 16 - querendo eu que fosse por contradição imprevisível outra vez. Um emprego de três meses, querendo orgulhar quem já era orgulhoso - outro, atual, de meio período. Meras ilustrações de coisas explícitas...
Minha mãe falaria da minha capacidade de rir só com os olhos, ou só com a boca... O que me levava a supôr que todo dia, além das coisas pensadas, há um inenarrável conjunto de atitudes pequenas que vão saindo por instinto, sem preocupações, e que vão construindo o meu ...sei lá, destino pode ser a palavra. Gosto de pensar que sou um amontoado de coisas ditas e não-ditas que, contudo, não se consegue prever. Porque as contradições mudam a minha história todos os dias, e esse gosto de mudança fica grudado nas minhas palavras, nos meus cabelos, nas minhas roupas, nos meus gestos. E eu mudo tanto. Digo, enceno, faço. Depois contradigo, contraceno, e talvez até contrafaça, em contrapartida. A tudo que se refere a mim, penso, é sempre cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais...
... mas a culpa é toda da escrivã!

Um comentário:

Viva la Vida disse...

As biografias deveriam ser assim...breves, mas que falam muito e divertem, sem perder o contexto e que ainda por cima permitam ao leitor perceber sobre quem realmente está se falando...Você tem o dom de prender a atenção!